sexta-feira, 12 de setembro de 2014

CELESTINO DOS SANTOS

Natural de Lençóis Paulista, Estado de São Paulo, onde nasceu em 02/05/1909, filho de Antonio Manuel dos Santos e de dona Maria Bernardes de Jesus, desde jovem interessou-se pela organização da classe trabalhadora e do Partido Comunista Brasileiro – PCB – e seus propósitos eram frontalmente contrários aos dos detentores do poder, sendo constantemente monitorado e perseguido pela Polícia Política, desde o período do Estado Novo, implantado à força por Getúlio Vargas, no século passado e que mergulhou nossa Pátria em total obscurantismo politico e democrático, com as lideranças populares sendo implacavelmente perseguidas, presas, torturadas, demitidas de seus empregos, enfim, despojadas de todos os direitos atinentes ao cidadão. A classe ferroviária e os movimentos populares já contavam com a perseverança do velho Celestino, na defesa intransigente dos direitos da classe trabalhadora e nesta época já angariou a antipatia do politico paulista Adhemar Pereira de Barros, que não media esforços para perseguir o autentico líder ferroviário. Aposentado da ferrovia continuou a atuar politicamente, na organização dos inativos, colaborando com sua experiência na organização das entidades de defesa da sua categoria profissional.
Nos anos 40 do século passado, as anotações em seu prontuário do extinto DOPS eram invariavelmente em companhia do igualmente líder ferroviário, Carminio Caramante. Em 1º de maio de 1945, na cidade de Assis era fundada a Associação Profissional dos Ferroviários da Sorocabana, que teve como seu primeiro presidente, Carminio Caramante e contava com a presença de Celestino em seu corpo diretivo. A ativa militância sindical e politica de nosso protagonista levavam-no costumeiramente à Delegacia de Polícia, com a finalidade de prestar declarações sobre suas atividades, sendo que em 11 de março de 1946 foi “convidado” a prestar esclarecimentos sobre suas atividades do DOPS de Santos, onde teve que explicar sobre as atividades da recém criada Associação.
Em 1º de junho de 1946, Celestino em entrevista à imprensa, declarava: “ o que nós, empregados da EFS queremos é liberdade para os estivadores que se encontram presos há 18 dias em Santos, sindicalização da classe, liberdade de ideias políticas, anistia e não perseguição aos grevistas da Sorocabana”.
 Em 1º de setembro de 1947, a Delegacia Regional de Polícia de Botucatu comunicava o DOPS/Sp. De que havia proibido a realização de uma reunião que Celestino e Carminio pretendiam realizar com os ferroviários naquela cidade e com data de 07 de outubro de 1947, encontramos a seguinte anotação:
Figurou como um dos indiciados no inquérito policial, instaurado pela Delegacia Especializada, por crime de natureza inafiançável, previsto e definido pelo Código Penal,  artigo 201 e decretos federais 431 e 9070. Os autos foram relatados pela autoridade processante em 21 de junho de 1946.
Informação prestada por este serviço em 7 de outubro de 1947, sobre Celestino e Carminio, diz o que segue:
Ferroviários da Estrada de Ferro Sorocabana e antigos militantes do PCB. Ambos foram candidatos a deputado estadual pelo PCB, nas eleições de janeiro. Sempre desenvolveram atividades comunistas em conjunto, não entre somente os ferroviários, em geral, como também em Santos no ambiente portuário. Constantemente percorrem o interior do estado em missão de realizarem propaganda partidária. Foram os organizadores da “ Célula Olavo Lopes” dos ferroviários da Sorocabana e dirigentes da Associação Profissional dos Ferroviários da Estrada de Ferro Sorocabana, forte núcleo de comunistas, sempre em ebulição. Na greve verificada em maio de 1946, naquela estrada, foram os mais ativos articuladores, o que é confirmado por suas declarações prestadas neste departamento, após suas prisões.  Celestino integrava uma Agremiação dos Trabalhadores Paulistas e como representante desta, fez parte de uma comissão que pretendia comparecer  a Petrópolis para reivindicar, perante a Conferencia Inter Americana, ali reunida, a liberdade sindical. Esse projeto, considerando seus elementos comunistas que compunham referida comissão, prevendo-se que na realidade somente seriam realizadas agitações, não foi permitido pelas autoridades. Ambos, foram elementos destacados do Movimento Unificado dos Trabalhadores – MUT – e muito batalharam para a realização de vários congressos sindicais, aqui na capital do Estado e na Capital Federal. Em reunião realizada em 1º do corrente no Cine Glória, Celestino dos Santos foi indicado como candidato a vereador nas próximas eleições de novembro, com apoio do PCB.
Aqui, encontramos uma controvérsia, pois enquanto a polícia politica afirmava que os líderes sindicais, não foram até Petrópolis, protestar junto a Comissão Interamericana,  a edição de 4 de agosto, do jornal Hoje em Notícias, trazia a notícia de que Celestino, João Leocádio da Silva e Otavio Soares, estavam se dirigindo ao evento, principalmente para protestarem contra a intervenção do Ministério do Trabalho nos sindicatos que se filiaram a CTB – Central dos Trabalhadores do Brasil -, organização criada em um congresso sindical que reuniu mais de dois mil delegados das entidades sindicais brasileiras.
Viajava por toda a linha da Sorocabana buscando organizar a categoria, e claro que suas atividades e discursos em reuniões com os ferroviários, rendiam informes dos agentes da polícia política, como o ofício 12174, de 19 de setembro de 1947, enviado pela Delegacia de Polícia de Bernardino de Campos, São Paulo, ao DOPS da capital paulista:
“Informamos que Celestino dos Santos e Carminio Caramante viajam por todo o Estado de São Paulo, com vencimentos integrais e passe livre, fornecido pela Sorocabana, com a única intenção de promoverem agitação no meio ferroviário”.
Fruto de seu trabalho e reconhecimento popular foi eleito primeiro suplente de deputado estadual pelo Partido Comunista Brasileiro – PCB -, nas eleições de 1946, tendo tido seu mandato extinto com a cassação do registro do partido, em 1947 e mesmo com a cassação, não esmoreceu em sua luta. As informações sobre sua militância politica são vastas e merecedoras de divulgação, principalmente para conhecimento das novas gerações, de que a ética, a moral e a coerência ideológica sempre estiveram presentes na conduta dos revolucionários de ontem. O monitoramento e o cerceamento a liberdade dos líderes sindicais é latente no caso de Celestino.
No exercício de seu mandato, estava sempre presente nas movimentações populares e merece registro, a anotação em sua ficha policial, o fato de ter ido receber oficialmente, enquanto parlamentar comunista, o poeta cubano Nicolas Guillen, estando na ocasião acompanhado por dois companheiros que a repressão não conseguiu identificar, sendo que a chegada do poeta, coincidiu com a chegada dos conhecidos comunistas Pedro Pomar e Roberto Morena, e segundo o relatório policial, em São Paulo, Nicolas manteve contatos secretos com dirigentes comunistas, tendo sido considerado impossível, identifica-los. Ora, se a policia não identificou os contatos do cubano, como poderia afirmar que eram dirigentes comunistas.
“Informação reservada de Santos, datada de 24 de fevereiro de 1948 diz que “ a situação continua sendo favorável aos comunistas, que contavam com um bom número de companheiros trabalhando ativamente na organização dos trabalhadores para a greve, principalmente nas ferrovias”, e que “na semana passada esteve na cidade o ex-deputado estadual Celestino dos Santos, mantendo reunião com os dirigentes comunistas da cidade, afirmando claramente que está contra a orientação dos órgãos superiores, que mandam ou recomendam calma e que o papel dos verdadeiros comunistas é promover protestos, insuflar greves, incitando desta forma a luta de classes como única forma de ser implantada com sucesso a ditadura do proletariado”.
O mapeamento das atividades de Celestino eram  constantes, e suas atividades acompanhadas de perto pela polícia política, engrossando de forma considerável a sua “capivara” nos órgãos repressivos. Lendo hoje esta documentação, decorridos mais de setenta anos depois do início de sua militância marxista, nos levam a compreender como sua liderança era respeitada, por verdadeiros ícones na defesa dos interesses da classe ferroviária, como Guarino Fernandes dos Santos, Francisco Gomes, Luís Bascheira, Massilon Bueno e tantos outros. A velha guarda, com seus poucos sobreviventes, guarda com carinho extremado a imagem de Celestino e de Carminio Caramante, considerados por eles, como dois dos melhores quadros do Partido Comunista Brasileiro. Continuemos com as anotações no DOPS.
“ Comunicado reservado de 1º de março de 1948, traz ao nosso conhecimento de que para este dia, estava marcado um encontro comunista, na praça da Biblioteca Municipal, onde compareceriam ferroviários da Santos-Jundiaí, das oficinas da Lapa, que neste mesmo dia, haviam entrado em greve, e ali se encontrar-se-iam com o líder comunista da Estrada de Ferro Sorocabana, Celestino dos Santos e em 08 de fevereiro de 1949, na qualidade de secretário da União Sindical do município de São Paulo, dirigiu-se à Federação Sindical Mundial, hipotecando irrestrito apoio aquela Federação contra a pretensão dos traidores dos operários ingleses, holandeses e norte-americanos de liquidar a unidade sindical mundial, novamente seria citado em relatório oriundo de Santos, em 08 de agosto de 1949, citado como elemento comunista perigoso, que trabalhava como desenhista, na secção de desenhos da Estrada de Ferro Sorocabana, oferecendo grande perigo, por ter em suas mãos todos os desenhos das pontes e das linhas férreas, além de manter contato com os comunistas da baixada santista, através de códigos”. No mesmo ano, era comunicado que havia participado de uma reunião na residência do bancário e militante comunista, Abelcio Bitencourt”.
Ainda em 1948, foi processado com fundamentação na lei 431 de 18 de Maio de 1938, acabando por conseguir “habeas-corpus” junto ao então Egrégio Tribunal de Apelação, em sessão das Câmaras Criminais conjunta  realizada em 07 de junho de 1948, e como havia sido preso preventivamente em 25 de maio daquele ano, acabou sendo colocado em liberdade, e era acusado de ter assinado manifesto, publicado no jornal O Popular, edição de 28 de março, deste mesmo ano. Aliás, os artigos e manifestos redigidos e assinados por Celestino, renderam-lhe processos em diversas ocasiões. Em 1946, foi ouvido em depoimento no DOPS pelo delegado Venâncio Ayres e pelo escrivão Mario Magalhaes, sobre suas atividades políticas e sindicais, declarando entre outras coisas:
“ que trabalha na Estrada de Ferro Sorocabana desde 1922, quando tinha treze anos de idade, iniciando-se nas oficinas de Telegrafo e Iluminação, na qualidade de aprendiz. No ano de 1930 passou para o escritório central, trabalhando em várias secções e, ultimamente na chefia do Departamento de Construção, onde é encarregado de uma das secções...
...que ingressou no Partido Comunista Brasileiro no ano de 1934, por intermédio de uma célula ferroviária denominada Olavo Lopes, dentro da própria Estrada de Ferro Sorocabana e que fez parte nas atividades da extinta Aliança Nacional Libertadora e após, o fechamento dessa organização é que iniciou com maior afinco sua participação no Partido Comunista Brasileiro. Depois de 1935,perdeu o contato com o partido e com seus elementos, somente agora, isto é, após a legalidade do Partido Comunista é que reingressou no mesmo, voltando a exercer atividades politicas...
... que, por ocasião da instalação da sede do Comitê Estadual do Partido Comunista em São Paulo, ali compareceu e assinou o livro de presenças. Posteriormente, se filiou ao Partido, tornando-se membro dessa organização, ficando sabendo que estava se cuidando, de forma legal, da criação da célula ferroviária da Sorocabana, com o nome de Olavo Lopes e que esta célula chegou a contar com dois mil militantes, tornando-se impossível nomina-los, mesmo porque, em razão de segurança, não conhece os camaradas por seus nomes reais... e que com a legalidade do Partido, ampliou-se forma considerável o número de integrantes da célula e que ocupa o cargo de encarregado sindical na célula, além de ser integrante do Comitê Municipal do Partido...
...que existe uma ligação normal entre o Comitê Municipal e a célula, em um sentido de organização e de acordo com os estatutos do Partido e que as instruções que a célula recebe do CM, são as que geralmente são publicadas em boletins internos ou pelos jornais HOJE, TRIBUNA POPULAR e CLASSE OPERÁRIA e são elas, destinadas a elevar a cultura politica dos militantes das células...
... que o Partido pretende levar o proletariado ao poder, mas isso no Brasil, somente será possível depois de varias etapas, sendo uma delas a socialização das massas, através da educação cultural e politica das mesmas, que permitira o voto consciente e com isso, a participação mais direta do próprio proletariado no Parlamento e no governo...
Neste mesmo ano, em 22 de outubro, esteve presente em Ato público em Defesa da Liberdade de Imprensa, realizado no salão das Classes Laboriosas, então localizado na rua do Carmo, na cidade de São Paulo, sendo que a mesa foi composta por Rui Barbosa Cardoso, Afonso Schmidt, Emo Duarte e Elias Chaves Neto, sendo que o conferencista foi Emo Duarte, que havia sido preso recentemente em Vigo, na Espanha, quando distribuía boletins subversivos e anti-franquistas. Sua fala foi um proselitismo ao extinto PCB e a Luís Carlos Prestes, discorrendo ainda sua permanência nos cárceres espanhóis, onde Prestes era considerado um verdadeiro mito pelos comunistas espanhóis. Ao final do evento, foi realizado um leilão de um cartão postal de rotogravura francesa, sobre liberdade dos povos e muitos lances foram dados, em homenagem a presença do Deputado Celestino.
Neste mesmo ano de 1949, Celestino assumiu o compromisso de editar o jornal Tribuna Ferroviária, com a finalidade de divulgar as reinvindicações da classe, e claro está, que este órgão de imprensa, igualmente acabou sendo monitorado.
“ Em 16 de dezembro de 1949, comunicado interno e reservado, dava conta que estava sendo vendido em todas as bancas da cidade de São Paulo, o jornal dirigido pelo militante e ex-deputado comunista Celestino dos Santos e que toda a matéria nele contida, era no sentido de agitar a classe ferroviária, devendo-se assinalar também, que como sua redação e administração figura o endereço da rua do Bosque, 1904, onde igualmente vinha sendo confeccionado o órgão oficial da ATTUSP, denominado O BREQUE”.
Logo em seguida, em 5 de janeiro de 1950, era anotado em seu prontuário, uma nota publicada pelo jornal Notícias de Hoje, dando conta que havia sido escolhido como membro da comissão pró-conferencia Sindical dos Trabalhadores da América do Sul, que seria realizada em Montevidéu, Uruguai, com o patrocínio da CTAL – Confederação dos Trabalhadores da América Latina e em 19 de janeiro do mesmo ano, era novamente mencionado como um dos responsáveis pela rearticulação do PCB, dentro dos quadros funcionais da Sorocabana.
“Persiste o trabalho de rearticulação comunista na Estrada de Ferro Sorocabana, que vem sendo realizado com toda a intensidade, em toda a linha, a pretexto de organizar a categoria  contra o veto do governador ao artigo 53, do projeto de lei 209 e a sombra da recém criada Associação dos Funcionários e Trabalhadores Autárquicos do Estado.
Já identificamos as seguintes comissões, com a incumbência de conduzirem os trabalhos locais e de representação como delegados à reunião de 22 do corrente, nesta capital.
Assis: Antonio Cardoso de Moraes, vereador; Cacilda Pereira, suplente de vereador; Olivio de Oliveira, marido de Cacilda; Fortunato Bauer, Henrique Zolner Neto, professor, além de Pedro Araújo e Palmiro Borrego, elementos ligados a agitação. A comissão de Assis, está assim constituída: Geraldo Pereira de Souza, presidente; Agnelo Cardoso de Moraes; Luís de Castro Campos, secretario; Benedito Rodrigues, tesoureiro, todos eles fichados naquela regional de polícia.
Itapetininga: Salvador Vieira, Sebastião de Souza Pinto, Oswaldo Gonçalves Jardim, Antonio Gaspar, Benedito Dias, Maurilio Pereira e Jordão Fantoni, todos devidamente fichados naquela regional.
Já temos conhecimento da organização de comissões em Santo Anastácio, Presidente Prudente, Ourinhos, Bernardino de Campos, Sorocaba, Bauru, Botucatu, Itapeva e Santos, estando no aguardo da identificação de seus componentes.
A testa da agitação, estão Massilon Bueno, Celestino dos Santos e Benedito Elpidio Marcondes, já citados em relatórios anteriores e dirigentes comunistas com atuação na Estrada.
Neste início de 1950, suas atividades eram constantes, e novo relatório datado de 20 de janeiro, informavam  que estava no comando de uma comissão que visava a fundação de uma Associação de Trabalhadores e que uma reunião preparatória estava sendo convocada para as dependências do Clube Recreativo Royal.
“Informa-nos, comunicado datado de 24 de janeiro de 1950, ter-se realizado no último dia 22 nas dependências do Clube Recreativo Royal, a anunciada reunião dos ferroviários da Sorocabana, a fim de tratar do veto do senhor governador ao artigo 35, da lei 209. Que a sessão foi aberta pelo ex-deputado comunista Celestino dos Santos que procurou incentivar aqueles trabalhadores a continuarem na luta para conseguirem as suas reinvindicações, concitando-os para comparecerem no dia 25 próximo na Assembleia Legislativa, com a finalidade de solicitarem apoio dos deputados estaduais contra o veto. Dias depois, em 6 de fevereiro de 1950, este relatório foi complementado com a informação que sob a liderança de Celestino, um numeroso grupo de ferroviários esteve presente na Assembleia Legislativa, com a finalidade de entregar um memorial protestando contra o aludido veto”.
Este artigo, vetado pelo governador, estendia aos funcionários autárquicos, como no caso dos ferroviários os benefícios concedidos aos funcionários estaduais e a concessão de abono natalino, e cuja aprovação foi motivo de festa por parte da classe ferroviária e posteriormente, com o veto aposto pelo governador, tornou-se bandeira de lutas para a categoria. A respeito desta polemica, um agente do DOPS, relatou:
“ O deputado Cassio Ciampolini, autor da emenda ao projeto 209 e que, como engenheiro e ferroviário que é, não poderia desconhecer a inexequibilidade da extensão as autarquias dos benefícios do projeto, anda agora preocupado com a situação e convocando ferroviários com a finalidade de lhes pedir calma. Ainda ontem, convocou em Santos uma reunião de ferroviários, na sede do PTB, a qual compareceram cerca de quarenta elementos da Sorocabana, aos quais aconselhou que lutassem pelos meios legais e que não se deixasse levar por um grupo, o comunista, que deseja a greve.
Em todas as reinvindicações da classe trabalhadora, estava presente a figura, hoje lendária de Celestino, ou na direção dos movimentos ou hipotecando solidariedade e em 17 de fevereiro de 1950, nova anotação foi realizada em seu prontuário, desta vez em razão de preparação de greve na Companhia Paulista de Estrada de Ferro, na época, particular e que estiveram presentes de Rio Claro, que haviam utilizados em suas propagandas eleitorais que eram candidatos de Luís Carlos Prestes, além de informar que o movimento em Campinas era comandado pelos vereadores, Djalma Moscoso e Americo Brancaglion, sendo que Companhia Paulista havia prometido um aumento salarial para o início de 1950, e até aquela data, não havia cumprido a promessa, levando os ferroviários a organizarem movimento grevista, considerando que o descontentamento está presente até nos cargos de chefia.
A partir desta data, a repressão esqueceu um pouco de Celestino, voltando a mencioná-lo em 22 de dezembro de 1952.
“Radiotelegrama recebido da Delegacia Regional de Sorocaba, sem data, aqui arquivado nesta data, informa que naquela cidade foi realizada reunião dos dispensados da Estrada de Ferro Sorocabana e das Indústrias Votorantim, para tratar de assunto alusivo as suas reintegrações, comparecendo apenas doze pessoas, várias delas comunistas, inclusive o marginado.”
Nas eleições de 1955, foi candidato ao Senado Federal, pelo Estado de São Paulo, apoiado pelo PCB, não logrando êxito nas urnas.
Outro salto no tempo, para chegarmos em 11 de fevereiro de 1963, em informe dando conta que a União dos Ferroviários da Estrada de Ferro Sorocabana conjuntamente com seu Departamento de Aposentados e Pensionistas, cujo presidente é o epigrafado, lançou um manifesto nesta data, convocando os ferroviários em geral e os aposentados, a comparecerem as grandes concentrações que seriam realizadas em Assis, Botucatu, Sorocaba e São Vicente, ocasião em que serão debatidos vários assuntos e pleiteadas algumas reinvindicações. Entre os signatários está o do conhecido comunista, Celestino dos Santos.”
Em 5 de Abril de 1963, o Pacto de Unidade dos Ferroviários Estaduais de São Paulo, convocava, por meio de manifesto, uma Concentração Ferroviária a ser realizada no Cine Líder em Sorocaba no dia 21 de Abril, ocasião em que seria discutida extensa pauta de reivindicações e dentre os seus subscritores, estava o nosso protagonista como presidente do Departamento de Aposentados e Pensionistas da União.
Informe datado de 4 de maio de 1963, dava conta que Celestino juntamente com outras lideranças sindicais brasileiras haviam visitado a União Soviética e que em 29 de novembro do mesmo ano, esteve com outras lideranças ferroviárias em audiência com o ministro do Trabalho, Amauri Silva com a finalidade de discutir sobre a situação da greve dos ferroviários da Sorocabana. Anteriormente, em 2 de setembro, havia subscrito manifesto em apoio aos enfermeiros de Santos que encontravam-se em greve, em busca de melhores salários e condições dignas de trabalho.
Com a eclosão do Golpe Militar de 1º de Abril de 1964, a União sofreu intervenção e consequentemente toda sua diretoria foi destituída, inclusive nosso protagonista e levados a prisão, onde permaneceram por aproximadamente sessenta dias,  indiciados em Inquérito Policial, Celestino voltou a ser preso em 16 de Maio de 1965, prestando declarações e liberado em 18 de maio. Este inquérito não prosperou e o Delegado Adjunto do DOPS, solicitou seu arquivamento, o que ocorreu em 25 de janeiro de 1967.
Ainda em  09 de outubro 1964, teve sua aposentadoria da Sorocabana cassada, com o então governador do Estado de São Paulo, Adhemar Pereira de Barros, praticando uma verdadeira excrecência jurídica no decreto que o exonerou dos quadros da ferrovia. Em um artigo, convocou nosso protagonista a retornar ao trabalho e em outro artigo, com fundamentação no artigo 7º, paragrafo 1º do Ato Institucional de 9 de Abril do mesmo ano, o exonerou, configurando desta forma, a cassação de sua aposentadoria. Em virtude  deste ato jurídico falho, decorridos dois anos, Celestino reconquistou sua aposentadoria. Igualmente, foi absolvido em 10 de maio de 1966, no processo a que respondeu pela organização de greves na Sorocabana.
Em 17 de agosto de 1970, juntamente com os ferroviários e militantes comunistas Oscar Rodrigues da Paz, Ibrahim Sebastião da Fonseca, Manoel Moreira dos Santos, José Alves Santiago, Antonio R. Figueiredo, Miguel Khurbi, João Batista Spanier, Lourival Costa Villar, Lazaro Moreira, Modesto Sanches Rodrigues, Francisco Gomes, Alípio Abrantes, Antonio Bernardino dos Santos e Antonio Brito Lopes,  foi indiciado em novo inquérito policial, por pretensa infração aos artigos 43 e 45 da Lei de Segurança Nacional, acusados de distribuírem o jornal clandestino “ A VÓZ OPERÁRIA”.

CELESTINO DOS SANTOS,  teve uma trajetória de vida calcada na defesa intransigente da classe trabalhadora, militando no Partido Comunista Brasileiro, durante mais de sessenta anos e sempre atento as necessidades prementes do povo, construindo uma história de vida, alicerçada na ética e na coerência, deixando saudades perenes em todos aqueles que com ele tiveram a oportunidade de conviver. Perseguido, monitorado, preso, demitido por duas vezes da ferrovia, ainda mantinha vivo o espirito de luta e a coragem revolucionária.

Nenhum comentário:

Postar um comentário