Natural de Lençóis Paulista,
Estado de São Paulo, onde nasceu em 02/05/1909, filho de Antonio Manuel dos
Santos e de dona Maria Bernardes de Jesus, desde jovem interessou-se pela
organização da classe trabalhadora e do Partido Comunista Brasileiro – PCB – e
seus propósitos eram frontalmente contrários aos dos detentores do poder, sendo
constantemente monitorado e perseguido pela Polícia Política, desde o período
do Estado Novo, implantado à força por Getúlio Vargas, no século passado e que
mergulhou nossa Pátria em total obscurantismo politico e democrático, com as
lideranças populares sendo implacavelmente perseguidas, presas, torturadas,
demitidas de seus empregos, enfim, despojadas de todos os direitos atinentes ao
cidadão. A classe ferroviária e os movimentos populares já contavam com a
perseverança do velho Celestino, na defesa intransigente dos direitos da classe
trabalhadora e nesta época já angariou a antipatia do politico paulista Adhemar
Pereira de Barros, que não media esforços para perseguir o autentico líder
ferroviário. Aposentado da ferrovia continuou a atuar politicamente, na
organização dos inativos, colaborando com sua experiência na organização das
entidades de defesa da sua categoria profissional.
Nos anos 40 do século passado, as
anotações em seu prontuário do extinto DOPS eram invariavelmente em companhia
do igualmente líder ferroviário, Carminio Caramante. Em 1º de maio de 1945, na
cidade de Assis era fundada a Associação Profissional dos Ferroviários da Sorocabana,
que teve como seu primeiro presidente, Carminio Caramante e contava com a
presença de Celestino em seu corpo diretivo. A ativa militância sindical e
politica de nosso protagonista levavam-no costumeiramente à Delegacia de
Polícia, com a finalidade de prestar declarações sobre suas atividades, sendo
que em 11 de março de 1946 foi “convidado” a prestar esclarecimentos sobre suas
atividades do DOPS de Santos, onde teve que explicar sobre as atividades da
recém criada Associação.
Em 1º de junho de 1946, Celestino
em entrevista à imprensa, declarava: “ o que nós, empregados da EFS queremos é
liberdade para os estivadores que se encontram presos há 18 dias em Santos,
sindicalização da classe, liberdade de ideias políticas, anistia e não
perseguição aos grevistas da Sorocabana”.
Em 1º de setembro de 1947, a Delegacia
Regional de Polícia de Botucatu comunicava o DOPS/Sp. De que havia proibido a
realização de uma reunião que Celestino e Carminio pretendiam realizar com os
ferroviários naquela cidade e com data de 07 de outubro de 1947, encontramos a
seguinte anotação:
“Figurou como um dos indiciados
no inquérito policial, instaurado pela Delegacia Especializada, por crime de
natureza inafiançável, previsto e definido pelo Código Penal, artigo 201 e decretos federais 431 e 9070. Os
autos foram relatados pela autoridade processante em 21 de junho de 1946.
Informação prestada por este serviço em 7 de outubro de 1947, sobre
Celestino e Carminio, diz o que segue:
Ferroviários da Estrada de Ferro
Sorocabana e antigos militantes do PCB. Ambos foram candidatos a deputado
estadual pelo PCB, nas eleições de janeiro. Sempre desenvolveram atividades
comunistas em conjunto, não entre somente os ferroviários, em geral, como
também em Santos no ambiente portuário. Constantemente percorrem o interior do
estado em missão de realizarem propaganda partidária. Foram os organizadores da
“ Célula Olavo Lopes” dos ferroviários da Sorocabana e dirigentes da Associação
Profissional dos Ferroviários da Estrada de Ferro Sorocabana, forte núcleo de
comunistas, sempre em ebulição. Na greve verificada em maio de 1946, naquela
estrada, foram os mais ativos articuladores, o que é confirmado por suas
declarações prestadas neste departamento, após suas prisões. Celestino integrava uma Agremiação dos
Trabalhadores Paulistas e como representante desta, fez parte de uma comissão
que pretendia comparecer a Petrópolis
para reivindicar, perante a Conferencia Inter Americana, ali reunida, a liberdade
sindical. Esse projeto, considerando seus elementos comunistas que compunham
referida comissão, prevendo-se que na realidade somente seriam realizadas
agitações, não foi permitido pelas autoridades. Ambos, foram elementos
destacados do Movimento Unificado dos Trabalhadores – MUT – e muito batalharam
para a realização de vários congressos sindicais, aqui na capital do Estado e
na Capital Federal. Em reunião realizada em 1º do corrente no Cine Glória,
Celestino dos Santos foi indicado como candidato a vereador nas próximas
eleições de novembro, com apoio do PCB.
Aqui, encontramos uma
controvérsia, pois enquanto a polícia politica afirmava que os líderes
sindicais, não foram até Petrópolis, protestar junto a Comissão
Interamericana, a edição de 4 de agosto,
do jornal Hoje em Notícias, trazia a notícia de que Celestino, João Leocádio da
Silva e Otavio Soares, estavam se dirigindo ao evento, principalmente para
protestarem contra a intervenção do Ministério do Trabalho nos sindicatos que
se filiaram a CTB – Central dos Trabalhadores do Brasil -, organização criada
em um congresso sindical que reuniu mais de dois mil delegados das entidades
sindicais brasileiras.
Viajava por toda a linha da
Sorocabana buscando organizar a categoria, e claro que suas atividades e
discursos em reuniões com os ferroviários, rendiam informes dos agentes da
polícia política, como o ofício 12174, de 19 de setembro de 1947, enviado pela
Delegacia de Polícia de Bernardino de Campos, São Paulo, ao DOPS da capital
paulista:
“Informamos que Celestino dos
Santos e Carminio Caramante viajam por todo o Estado de São Paulo, com
vencimentos integrais e passe livre, fornecido pela Sorocabana, com a única
intenção de promoverem agitação no meio ferroviário”.
Fruto de seu trabalho e
reconhecimento popular foi eleito primeiro suplente de deputado estadual pelo
Partido Comunista Brasileiro – PCB -, nas eleições de 1946, tendo tido seu
mandato extinto com a cassação do registro do partido, em 1947 e mesmo com a
cassação, não esmoreceu em sua luta. As informações sobre sua militância
politica são vastas e merecedoras de divulgação, principalmente para
conhecimento das novas gerações, de que a ética, a moral e a coerência
ideológica sempre estiveram presentes na conduta dos revolucionários de ontem.
O monitoramento e o cerceamento a liberdade dos líderes sindicais é latente no
caso de Celestino.
No exercício de seu mandato,
estava sempre presente nas movimentações populares e merece registro, a
anotação em sua ficha policial, o fato de ter ido receber oficialmente,
enquanto parlamentar comunista, o poeta cubano Nicolas Guillen, estando na
ocasião acompanhado por dois companheiros que a repressão não conseguiu
identificar, sendo que a chegada do poeta, coincidiu com a chegada dos
conhecidos comunistas Pedro Pomar e Roberto Morena, e segundo o relatório
policial, em São Paulo, Nicolas manteve contatos secretos com dirigentes
comunistas, tendo sido considerado impossível, identifica-los. Ora, se a
policia não identificou os contatos do cubano, como poderia afirmar que eram
dirigentes comunistas.
“Informação reservada de Santos,
datada de 24 de fevereiro de 1948 diz que “ a situação continua sendo favorável
aos comunistas, que contavam com um bom número de companheiros trabalhando
ativamente na organização dos trabalhadores para a greve, principalmente nas
ferrovias”, e que “na semana passada esteve na cidade o ex-deputado estadual
Celestino dos Santos, mantendo reunião com os dirigentes comunistas da cidade,
afirmando claramente que está contra a orientação dos órgãos superiores, que
mandam ou recomendam calma e que o papel dos verdadeiros comunistas é promover
protestos, insuflar greves, incitando desta forma a luta de classes como única
forma de ser implantada com sucesso a ditadura do proletariado”.
O mapeamento das atividades de
Celestino eram constantes, e suas
atividades acompanhadas de perto pela polícia política, engrossando de forma
considerável a sua “capivara” nos órgãos repressivos. Lendo hoje esta
documentação, decorridos mais de setenta anos depois do início de sua
militância marxista, nos levam a compreender como sua liderança era respeitada,
por verdadeiros ícones na defesa dos interesses da classe ferroviária, como
Guarino Fernandes dos Santos, Francisco Gomes, Luís Bascheira, Massilon Bueno e
tantos outros. A velha guarda, com seus poucos sobreviventes, guarda com
carinho extremado a imagem de Celestino e de Carminio Caramante, considerados
por eles, como dois dos melhores quadros do Partido Comunista Brasileiro.
Continuemos com as anotações no DOPS.
“ Comunicado reservado de 1º de
março de 1948, traz ao nosso conhecimento de que para este dia, estava marcado
um encontro comunista, na praça da Biblioteca Municipal, onde compareceriam
ferroviários da Santos-Jundiaí, das oficinas da Lapa, que neste mesmo dia,
haviam entrado em greve, e ali se encontrar-se-iam com o líder comunista da
Estrada de Ferro Sorocabana, Celestino dos Santos e em 08 de
fevereiro de 1949, na qualidade de secretário da União Sindical
do município de São Paulo, dirigiu-se à Federação Sindical Mundial, hipotecando
irrestrito apoio aquela Federação contra a pretensão dos traidores dos
operários ingleses, holandeses e norte-americanos de liquidar a unidade
sindical mundial, novamente seria citado em relatório oriundo de Santos, em 08
de agosto de 1949, citado como elemento comunista perigoso, que trabalhava como
desenhista, na secção de desenhos da Estrada de Ferro Sorocabana, oferecendo
grande perigo, por ter em suas mãos todos os desenhos das pontes e das linhas
férreas, além de manter contato com os comunistas da baixada santista, através
de códigos”. No mesmo ano, era comunicado que havia participado de uma reunião
na residência do bancário e militante comunista, Abelcio Bitencourt”.
Ainda em 1948, foi processado com
fundamentação na lei 431 de 18 de Maio de 1938, acabando por conseguir
“habeas-corpus” junto ao então Egrégio Tribunal de Apelação, em sessão das
Câmaras Criminais conjunta realizada em
07 de junho de 1948, e como havia sido preso preventivamente em 25 de maio daquele
ano, acabou sendo colocado em liberdade, e era acusado de ter assinado
manifesto, publicado no jornal O Popular, edição de 28 de março, deste mesmo
ano. Aliás, os artigos e manifestos redigidos e assinados por Celestino,
renderam-lhe processos em diversas ocasiões. Em 1946, foi ouvido em depoimento
no DOPS pelo delegado Venâncio Ayres e pelo escrivão Mario Magalhaes, sobre
suas atividades políticas e sindicais, declarando entre outras coisas:
“ que trabalha na Estrada de
Ferro Sorocabana desde 1922, quando tinha treze anos de idade, iniciando-se nas
oficinas de Telegrafo e Iluminação, na qualidade de aprendiz. No ano de 1930
passou para o escritório central, trabalhando em várias secções e, ultimamente
na chefia do Departamento de Construção, onde é encarregado de uma das
secções...
...que ingressou no Partido
Comunista Brasileiro no ano de 1934, por intermédio de uma célula ferroviária
denominada Olavo Lopes, dentro da própria Estrada de Ferro Sorocabana e que fez
parte nas atividades da extinta Aliança Nacional Libertadora e após, o
fechamento dessa organização é que iniciou com maior afinco sua participação no
Partido Comunista Brasileiro. Depois de 1935,perdeu o contato com o partido e
com seus elementos, somente agora, isto é, após a legalidade do Partido
Comunista é que reingressou no mesmo, voltando a exercer atividades
politicas...
... que, por ocasião da
instalação da sede do Comitê Estadual do Partido Comunista em São Paulo, ali
compareceu e assinou o livro de presenças. Posteriormente, se filiou ao
Partido, tornando-se membro dessa organização, ficando sabendo que estava se
cuidando, de forma legal, da criação da célula ferroviária da Sorocabana, com o
nome de Olavo Lopes e que esta célula chegou a contar com dois mil militantes,
tornando-se impossível nomina-los, mesmo porque, em razão de segurança, não
conhece os camaradas por seus nomes reais... e que com a legalidade do Partido,
ampliou-se forma considerável o número de integrantes da célula e que ocupa o
cargo de encarregado sindical na célula, além de ser integrante do Comitê
Municipal do Partido...
...que existe uma ligação normal
entre o Comitê Municipal e a célula, em um sentido de organização e de acordo
com os estatutos do Partido e que as instruções que a célula recebe do CM, são
as que geralmente são publicadas em boletins internos ou pelos jornais HOJE,
TRIBUNA POPULAR e CLASSE OPERÁRIA e são elas, destinadas a elevar a cultura
politica dos militantes das células...
... que o Partido pretende levar
o proletariado ao poder, mas isso no Brasil, somente será possível depois de
varias etapas, sendo uma delas a socialização das massas, através da educação
cultural e politica das mesmas, que permitira o voto consciente e com isso, a
participação mais direta do próprio proletariado no Parlamento e no governo...
Neste mesmo ano, em 22 de outubro,
esteve presente em Ato público em Defesa da Liberdade de Imprensa, realizado no
salão das Classes Laboriosas, então localizado na rua do Carmo, na cidade de
São Paulo, sendo que a mesa foi composta por Rui Barbosa Cardoso, Afonso
Schmidt, Emo Duarte e Elias Chaves Neto, sendo que o conferencista foi Emo
Duarte, que havia sido preso recentemente em Vigo, na Espanha, quando
distribuía boletins subversivos e anti-franquistas. Sua fala foi um
proselitismo ao extinto PCB e a Luís Carlos Prestes, discorrendo ainda sua
permanência nos cárceres espanhóis, onde Prestes era considerado um verdadeiro
mito pelos comunistas espanhóis. Ao final do evento, foi realizado um leilão de
um cartão postal de rotogravura francesa, sobre liberdade dos povos e muitos
lances foram dados, em homenagem a presença do Deputado Celestino.
Neste mesmo ano de 1949,
Celestino assumiu o compromisso de editar o jornal Tribuna Ferroviária, com a
finalidade de divulgar as reinvindicações da classe, e claro está, que este
órgão de imprensa, igualmente acabou sendo monitorado.
“ Em 16 de dezembro de 1949,
comunicado interno e reservado, dava conta que estava sendo vendido em todas as
bancas da cidade de São Paulo, o jornal dirigido pelo militante e ex-deputado
comunista Celestino dos Santos e que toda a matéria nele contida, era no
sentido de agitar a classe ferroviária, devendo-se assinalar também, que como
sua redação e administração figura o endereço da rua do Bosque, 1904, onde
igualmente vinha sendo confeccionado o órgão oficial da ATTUSP, denominado O
BREQUE”.
Logo em seguida, em 5 de janeiro
de 1950, era anotado em seu prontuário, uma nota publicada pelo jornal Notícias
de Hoje, dando conta que havia sido escolhido como membro da comissão
pró-conferencia Sindical dos Trabalhadores da América do Sul, que seria
realizada em Montevidéu, Uruguai, com o patrocínio da CTAL – Confederação dos
Trabalhadores da América Latina e em 19 de janeiro do mesmo ano, era novamente
mencionado como um dos responsáveis pela rearticulação do PCB, dentro dos
quadros funcionais da Sorocabana.
“Persiste o trabalho de
rearticulação comunista na Estrada de Ferro Sorocabana, que vem sendo realizado
com toda a intensidade, em toda a linha, a pretexto de organizar a categoria
contra o veto do governador ao artigo 53, do
projeto de lei 209 e a sombra da recém criada Associação dos Funcionários e
Trabalhadores Autárquicos do Estado.
Já identificamos as seguintes
comissões, com a incumbência de conduzirem os trabalhos locais e de
representação como delegados à reunião de 22 do corrente, nesta capital.
Assis: Antonio Cardoso de Moraes,
vereador; Cacilda Pereira, suplente de vereador; Olivio de Oliveira, marido de
Cacilda; Fortunato Bauer, Henrique Zolner Neto, professor, além de Pedro Araújo
e Palmiro Borrego, elementos ligados a agitação. A comissão de Assis, está
assim constituída: Geraldo Pereira de Souza, presidente; Agnelo Cardoso de
Moraes; Luís de Castro Campos, secretario; Benedito Rodrigues, tesoureiro,
todos eles fichados naquela regional de polícia.
Itapetininga: Salvador Vieira,
Sebastião de Souza Pinto, Oswaldo Gonçalves Jardim, Antonio Gaspar, Benedito
Dias, Maurilio Pereira e Jordão Fantoni, todos devidamente fichados naquela
regional.
Já temos conhecimento da
organização de comissões em Santo Anastácio, Presidente Prudente, Ourinhos,
Bernardino de Campos, Sorocaba, Bauru, Botucatu, Itapeva e Santos, estando no
aguardo da identificação de seus componentes.
A testa da agitação, estão
Massilon Bueno, Celestino dos Santos e Benedito Elpidio Marcondes, já citados
em relatórios anteriores e dirigentes comunistas com atuação na Estrada.
Neste início de 1950, suas
atividades eram constantes, e novo relatório datado de 20 de janeiro,
informavam que estava no comando de uma
comissão que visava a fundação de uma Associação de Trabalhadores e que uma
reunião preparatória estava sendo convocada para as dependências do Clube
Recreativo Royal.
“Informa-nos, comunicado datado
de 24 de janeiro de 1950, ter-se realizado no último dia 22 nas dependências do
Clube Recreativo Royal, a anunciada reunião dos ferroviários da Sorocabana, a fim
de tratar do veto do senhor governador ao artigo 35, da lei 209. Que a sessão
foi aberta pelo ex-deputado comunista Celestino dos Santos que procurou
incentivar aqueles trabalhadores a continuarem na luta para conseguirem as suas
reinvindicações, concitando-os para comparecerem no dia 25 próximo na
Assembleia Legislativa, com a finalidade de solicitarem apoio dos deputados
estaduais contra o veto. Dias depois, em 6 de fevereiro de 1950, este relatório
foi complementado com a informação que sob a liderança de Celestino, um
numeroso grupo de ferroviários esteve presente na Assembleia Legislativa, com a
finalidade de entregar um memorial protestando contra o aludido veto”.
Este artigo, vetado pelo
governador, estendia aos funcionários autárquicos, como no caso dos
ferroviários os benefícios concedidos aos funcionários estaduais e a concessão
de abono natalino, e cuja aprovação foi motivo de festa por parte da classe
ferroviária e posteriormente, com o veto aposto pelo governador, tornou-se
bandeira de lutas para a categoria. A respeito desta polemica, um agente do
DOPS, relatou:
“ O deputado Cassio Ciampolini,
autor da emenda ao projeto 209 e que, como engenheiro e ferroviário que é, não
poderia desconhecer a inexequibilidade da extensão as autarquias dos benefícios
do projeto, anda agora preocupado com a situação e convocando ferroviários com
a finalidade de lhes pedir calma. Ainda ontem, convocou em Santos uma reunião
de ferroviários, na sede do PTB, a qual compareceram cerca de quarenta
elementos da Sorocabana, aos quais aconselhou que lutassem pelos meios legais e
que não se deixasse levar por um grupo, o comunista, que deseja a greve.
Em todas as reinvindicações da
classe trabalhadora, estava presente a figura, hoje lendária de Celestino, ou
na direção dos movimentos ou hipotecando solidariedade e em 17 de fevereiro de
1950, nova anotação foi realizada em seu prontuário, desta vez em razão de
preparação de greve na Companhia Paulista de Estrada de Ferro, na época,
particular e que estiveram presentes de Rio Claro, que haviam utilizados em
suas propagandas eleitorais que eram candidatos de Luís Carlos Prestes, além de
informar que o movimento em Campinas era comandado pelos vereadores, Djalma
Moscoso e Americo Brancaglion, sendo que Companhia Paulista havia prometido um
aumento salarial para o início de 1950, e até aquela data, não havia cumprido a
promessa, levando os ferroviários a organizarem movimento grevista,
considerando que o descontentamento está presente até nos cargos de chefia.
A partir desta data, a repressão
esqueceu um pouco de Celestino, voltando a mencioná-lo em 22 de dezembro de
1952.
“Radiotelegrama recebido da
Delegacia Regional de Sorocaba, sem data, aqui arquivado nesta data, informa
que naquela cidade foi realizada reunião dos dispensados da Estrada de Ferro
Sorocabana e das Indústrias Votorantim, para tratar de assunto alusivo as suas
reintegrações, comparecendo apenas doze pessoas, várias delas comunistas,
inclusive o marginado.”
Nas eleições de 1955, foi
candidato ao Senado Federal, pelo Estado de São Paulo, apoiado pelo PCB, não
logrando êxito nas urnas.
Outro salto no tempo, para
chegarmos em 11 de
fevereiro de 19 63, em informe dando conta que a União dos
Ferroviários da Estrada de Ferro Sorocabana conjuntamente com seu Departamento
de Aposentados e Pensionistas, cujo presidente é o epigrafado, lançou um
manifesto nesta data, convocando os ferroviários em geral e os aposentados, a
comparecerem as grandes concentrações que seriam realizadas em Assis, Botucatu,
Sorocaba e São Vicente, ocasião em que serão debatidos vários assuntos e
pleiteadas algumas reinvindicações. Entre os signatários está o do conhecido
comunista, Celestino dos Santos.”
Em 5 de Abril de 1963, o Pacto de
Unidade dos Ferroviários Estaduais de São Paulo, convocava, por meio de
manifesto, uma Concentração Ferroviária a ser realizada no Cine Líder em
Sorocaba no dia 21 de Abril, ocasião em que seria discutida extensa pauta de
reivindicações e dentre os seus subscritores, estava o nosso protagonista como
presidente do Departamento de Aposentados e Pensionistas da União.
Informe datado de 4 de maio de
1963, dava conta que Celestino juntamente com outras lideranças sindicais
brasileiras haviam visitado a União Soviética e que em 29 de novembro do mesmo
ano, esteve com outras lideranças ferroviárias em audiência com o ministro do
Trabalho, Amauri Silva com a finalidade de discutir sobre a situação da greve
dos ferroviários da Sorocabana. Anteriormente, em 2 de setembro, havia
subscrito manifesto em apoio aos enfermeiros de Santos que encontravam-se em
greve, em busca de melhores salários e condições dignas de trabalho.
Com a eclosão do Golpe Militar de
1º de Abril de 1964, a União sofreu intervenção e consequentemente toda sua
diretoria foi destituída, inclusive nosso protagonista e levados a prisão, onde
permaneceram por aproximadamente sessenta dias,
indiciados em Inquérito Policial, Celestino voltou a ser preso em 16 de
Maio de 1965, prestando declarações e liberado em 18 de maio. Este inquérito
não prosperou e o Delegado Adjunto do DOPS, solicitou seu arquivamento, o que
ocorreu em 25 de janeiro de 1967.
Ainda em 09 de outubro 1964, teve sua aposentadoria da
Sorocabana cassada, com o então governador do Estado de São Paulo, Adhemar
Pereira de Barros, praticando uma verdadeira excrecência jurídica no decreto
que o exonerou dos quadros da ferrovia. Em um artigo, convocou nosso
protagonista a retornar ao trabalho e em outro artigo, com fundamentação no
artigo 7º, paragrafo 1º do Ato Institucional de 9 de Abril do mesmo ano, o
exonerou, configurando desta forma, a cassação de sua aposentadoria. Em virtude deste ato jurídico falho, decorridos dois
anos, Celestino reconquistou sua aposentadoria. Igualmente, foi absolvido em 10
de maio de 1966, no processo a que respondeu pela organização de greves na
Sorocabana.
Em 17 de agosto de 1970,
juntamente com os ferroviários e militantes comunistas Oscar Rodrigues da Paz,
Ibrahim Sebastião da Fonseca, Manoel Moreira dos Santos, José Alves Santiago,
Antonio R. Figueiredo, Miguel Khurbi, João Batista Spanier, Lourival Costa
Villar, Lazaro Moreira, Modesto Sanches Rodrigues, Francisco Gomes, Alípio
Abrantes, Antonio Bernardino dos Santos e Antonio Brito Lopes, foi indiciado em novo inquérito policial, por
pretensa infração aos artigos 43 e 45 da Lei de Segurança Nacional, acusados de
distribuírem o jornal clandestino “ A VÓZ OPERÁRIA”.
CELESTINO DOS SANTOS, teve
uma trajetória de vida calcada na
defesa intransigente da classe trabalhadora, militando no Partido Comunista
Brasileiro, durante mais de sessenta anos e sempre atento as necessidades
prementes do povo, construindo uma história de vida, alicerçada na ética e na
coerência, deixando saudades perenes em todos aqueles que com ele tiveram a
oportunidade de conviver. Perseguido, monitorado, preso, demitido por duas
vezes da ferrovia, ainda mantinha vivo o espirito de luta e a coragem revolucionária.
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