Natural de São Paulo, do
mesmo estado, onde nasceu em 13 de fevereiro de 1927, filho de Candido Aleixo e
Maria Luiz Aleixo, era desenhista, militante do Partido Comunista Brasileiro e
integrante da UNIÃO. Tinha seus passos monitorados pela repressão, em virtude
da suspeita de militar no Partido Comunista Brasileiro e no sindicalismo,
dentro da UNIÃO. O monitoramento oficial de suas atividades políticas inicia-se
em 28 de janeiro de 1962, com a informação de que esteve presente em Assembleia
dos Ferroviários, realizada no Auditório do Fórum Sindical de Debates de
Santos, ocasião em que foi decidida a prorrogação da greve da Sorocabana por mais 72 horas, sendo que neste
mês de janeiro, surge a informação que o presidente da UNIÃO, Guarino Fernandes
dos Santos, solicitou que Aleixo e outros líderes sindicais da baixada
santista, fossem avisados sobre o andamento do movimento grevista. Interessante
deixar registrado, que em relatório de 17 de fevereiro de 1962, registrando a
realização de uma assembleia realizada na baixada santista e presidida por
Guarino Fernandes dos Santos, Aleixo era apresentado como representante dos
ferroviários de Botucatu, e nada achamos, sobre uma sua possível transferência,
hipótese que não pode ser desconsiderada, pois outros líderes grevistas já
haviam sido removidos de sede. Nesta assembleia, Aleixo elogiou as esposas dos ferroviários que não titubeavam em
arriscar-se, colocando-se nas linhas férreas, com a finalidade de impedirem a
passagem dos comboios, conduzido pelos traidores da classe.
Posteriormente, em 19 de
novembro de 1963, um comunicado da Secretaria de Estado dos Negócios de
Transportes – Estrada de Ferro Sorocabana, publicaram edital no jornal FOLHA DA
MANHÃ, referente as providencias preliminares tomadas por parte da
administração daquela ferrovia, com relação aos servidores implicados no
movimento grevista eclodido a zero hora do dia 12 de novembro, do mesmo ano,
afastando diversos servidores do serviço, pelo período de 30 dias, dentre eles,
Aleixo, sendo certo que esta suspensão acabou sendo prorrogada por mais 30
dias.
O jornal O DIÁRIO de
Santos, em sua edição de 22 de novembro de 1963, traz a notícia que os
trabalhadores em greve da Estrada de Ferro Sorocabana, estavam recebendo a
solidariedade de outras categorias profissionais, que a qualquer momento
poderiam paralisar suas atividades em solidariedade aos ferroviários. Uma das
decisões adotadas pelos sindicatos da baixada foi a de encerrar as contas
existentes no Banco do Estado de São Paulo em protesto contra o governo do
Estado de São Paulo que determinou o bloqueio da conta da Cooperativa de
Consumo dos Ferroviários da Estrada de Ferro Sorocaba, medida esta adotada com
a finalidade de se encerrar o movimento grevista que perdurou 18 dias. Em
Assembleia realizada no Sindicato dos estivadores, Rubens Aleixo denunciou, na
condição de Delegado Regional da UNIÃO e de diretor da Cooperativa, o bloqueio
da conta e a instauração de processo administrativo contra 22 dos dirigentes da
greve, entre eles, ele próprio e o senhor Celestino dos Santos, apesar deste já
estar aposentado. Segundo o jornal O DIÁRIO, vários oradores fizeram uso da
palavra, no sentido de prestarem ampla solidariedade aos grevistas,
destacando-se entre eles: Oswaldo Lourenço, Domingos Garcia, Geraldo Silvino de
Oliveira e Alberto Pires Barbosa.
Em início de abril de
1964, a direção da Estrada de Ferro, solicitou ao DOPS a prisão de inúmeros
ferroviários, que ao ver dos diretores eram agitadores e comunistas, que
poderiam tentar se contrapor ao movimento golpista de 1º de Abril, sendo que
preso, indiciado em inquérito, acabou colocado em liberdade em junho do mesmo
ano, e em 19 de setembro, acabou sendo demitido do quadro funcional da ferrovia
por decreto do governador Adhemar Pereira de Barros, com fundamentação no Ato
Institucional de 9 de Abril, daquele ano.
Em 04 de janeiro de 1980,
relatório circunstanciado do DOPS de Sorocaba, informava que os comunistas João
F. de Oliveira, Miguel G. Trujillo, Brasil Mirim, Antonio Martini, Rubens
Aleixo, faziam parte de uma chapa de oposição que disputava o comando da
Sociedade de Cooperação dos Aposentados e Pensionistas da Sorocabana – SCAPS -,
sendo que o jornal Diário de Sorocaba destacava que pela primeira vez na história
da entidade, ocorreria disputa. A chapa de oposição, acabou vencendo o pleito
por esmagadora maioria, obtendo 541 votos contra 299 da chapa oficial. Esta é a
última anotação constante do prontuário de Aleixo, no extinto DOPS. Posteriormente,
Aleixo mudou-se para Garanhuns em Pernambuco, onde faleceu. Reproduzimos a
seguir o texto de Audálio Filho, escrito em sua homenagem:
Ronaldo,
não poderia deixar de registrar nossa consternação com a morte do Sr. Rubens
Aleixo, líder dos ferroviários e ex-vereador de São Vicente- SP, uma pessoa que
tive o prazer de conviver quando trabalhamos juntos na Câmara Municipal no
início dos anos 90, depois na luta pelas políticas públicas, especialmente na
causa dos idosos.
Sempre
alimentado pelas suas informações e sugestões, tive a honra de ser o autor do
Projeto de Lei que criou o Conselho Municipal dos Direitos dos Idosos, até como
uma homenagem a ele.
Infelizmente
pessoas como Sr. Rubens servem aos interesses das máquinas partidárias, mas são
esquecidos quando das vitórias. Com muita justiça, fizemos questão de tê-lo
como componente do Diretório do PSB, quando o presidimos, junto com Dr. Alcindo
Menezes.
A
perda de um homem íntegro, verdadeiro, idealista, sempre abate a sociedade, em
um tempo em que estes valores tornam-se raros, e vemos como as exceções
reduzem-se a cada dia.
Que
Deus o receba no céu dos justos.
Audálio
Machado Filho.
Igualmente,
o prefeito à época de Itaquitinga, senhor Geovani de Oliveira, comentava a
morte deste guerreiro. Vejamos:
Lamentamos
profundamente o falecimento do Sr. Rubens Aleixo, por muitos anos Assessor
Especial da Câmara de Vereadores de Garanhuns, integrante do PSB de longas
datas. Muitas vezes, na década de 90, eu me dirigia à Câmara e o
encontrava nas dependências da Casa Legislativa onde ele costumava me dar
conselhos e me incentivar para as causas políticas.
Tinha
por Sr. Rubens o maior apreço, consideração e respeito. Perdemos um grande
Amigo, um homem que viveu seu tempo a serviço das causas populares.
Quanto
ao Tio da Transtil, Um homem que marcou nossas gerações com o exemplo de homem
simples, vitorioso, determinado e que sempre conservou as amizades. Uma pessoa
sempre alegre e que fará muita falta a Garanhuns. Nossos profundos sentimentos
a toda família.
Geovani
Oliveira - Prefeito de Itaquitinga
Zona
da Mata Norte de Pernambuco
RUBENS
ALEIXO é mais um daqueles,
hoje anônimos, que colaboraram de forma decisiva para a construção de uma
Pátria livre, democrática e justa, sofrendo perseguições pessoais, sendo
privado da liberdade por defender o ideal que considerava justo.
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