terça-feira, 16 de setembro de 2014

JOSÉ ALVES SANTIAGO

Filho de José Neves Santiago e de Otília Alves Vilela, natural de Garanhuns, Estado de Pernambuco, onde nasceu em 5 de junho de 1927, era maquinista da Estrada de Ferro Sorocabana e atuava na Delegacia Regional da UNIÃO DOS FERROVIÁRIOS, em sua Delegacia Regional de São Vicente. Ao lado de outros companheiros ferroviários da Estrada de Ferro Sorocabana, estava sempre presente nas lutas empreendidas pela UNIÃO ou hipotecando solidariedade a outras categorias profissionais da baixada santista. Em decorrência de suas atividades sindicais, e de liderar greve da Sorocabana, foi detido em 26 de novembro de 1962 e indiciado em Inquérito Policial, por infração a Lei de Segurança Nacional.
Com a eclosão do Golpe Militar de 1º de Abril de 1964, foi preso pela policia politica, tendo sua prisão sido legitimada somente no dia 13 do mesmo mês, libertado 43 dias depois, não foi indiciado em Inquérito e consequentemente, não foi processado na ocasião. Em São Vicente, nos primeiros dias depois do Golpe, igualmente ocorreu uma verdadeira “caça as bruxas”, com dezenas de pessoas sendo presas, acusadas de pertencerem ao Partido Comunista.

Informação anotada em seu prontuário em 10 de outubro de 1969, de que era filiado ao Movimento Democrático Brasileiro e que, em convenção, havia  sido escolhido  como delegado do partido à Convenção Regional.
Minucioso era o monitoramento por parte dos agentes policiais de sua vida,  e em 1º de junho de 1970, consta informação vinda do DOPS de São Vicente:
“...em companhia de MANOEL MOREIRA DOS SANTOS, elemento de esquerda, proprietário da relojoaria Omega, nesta cidade e ligado aos comunistas da E.F. Sorocabana, no dia 22 de maio pp., esteve caçando ou a pretexto de caçar, treinar tiro, em um sítio localizado nos fundos de Taniguá, município de Peruíbe. Atualmente, é funcionário da COSIPA.”
Em 17 de agosto de 1970, foi indiciado em Inquérito Policial por infração aos artigos 43 e 45 da Lei de Segurança Nacional, acusado de ser um dos distribuidores do jornal do Partido Comunista Brasileiro – PCB -, A VOZ OPERARIA. Este indiciamento foi em companhia de diversas outros ferroviários, e  acabou sendo acusado FRANCISCO GOMES, como o responsável pela entrega dos jornais aos comunistas da baixada santista. Acusação indevida, pois desde 1967, Gomes havia se desligado do PCB, para ajudar a fundar a Ação Libertadora Nacional – ALN -. Santiago até hoje é recordado pelos antigos ferroviários como uma pessoa fraterna e amiga.



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