Filho de Pedro Ferreira do
Nascimento e de Palmira Maricelli do Nascimento nascido em São Paulo, aos 8 de
setembro de 1935, era ferroviário da Estrada de Ferro Sorocaba, atuando nos
quadros da UNIÃO na Delegacia Regional da Entidade em Carapicuíba.
Em 24 de janeiro de 1962, foi
preso sob a acusação de ter liderado greve ilegal dos ferroviários no início
daquele ano, indiciado na Lei 1802/53 – Lei de Segurança Nacional -, tendo sido julgado e absolvido, na 3ª Vara
Criminal da Comarca de São Paulo, em 31 de março de 1964, com a sentença
transitando em julgado em 7 de abril do mesmo ano. Em virtude de sua atuação
junto a UNIÃO, foi demitido dos quadros da ferrovia, com fundamentação legal no
artigo 7º, alínea “g” do Ato Institucional de 9 de Abril de 1964.
Além deste processo,
respondeu a Inquérito Policial Militar, por infração ao artigo 2º da Lei de
Segurança Nacional, juntamente com outros militantes políticos da cidade de
Carapicuíba, acusado de ser um dos fundadores na cidade da FRENTE DE LIBERTAÇÃO
Nacional e FRENTE DE MOBILIZAÇÃO NACIONAL e em Tamboré, do SINDICATO DOS
TRABALHADORES RURAIS, todas essas entidades ligadas ao comunismo, segundo relatório
do agente policial do DOPS, tendo sido absolvido em 20 de agosto de 1966, pelo
Conselho Especial de Justiça Militar da 2ª Auditoria de Guerra, tendo o
promotor público da Justiça Militar apresentado recurso contra a decisão do
Juiz Auditor José Tinoco Barreto, da 2ª
Auditoria da 2ª região militar.
Demitido da Estrada de
Ferro e sem ter os direitos políticos cassados, continuou militando
politicamente, dentro do então Movimento Democrático Brasileiro – MDB -, tendo
disputado e vencido as eleições municipais de 1968, para o cargo de
vice-prefeito, e no exercício do cargo, em 3 de julho de 1969, juntamente com o
prefeito e outros moradores de
Carapicuíba, foi preso sob suspeita de estar envolvido em atividades subversivas,
tendo sido conduzido para a sede da 2ª Infantaria do Exército, no Parque
Ibirapuera e posteriormente para o DOPS/SP, onde foi liberado em 07 de julho de
1969. Aliás, logo no início do mandato, o coronel Ênio dos Santos Pinheiro,
chefe do escritório do Serviço Nacional de Informações – SNI – em São Paulo,
expediu oficio ao DOPS/SP, solicitando os antecedentes político-sociais de
Valter e do prefeito Amos Meucci.
Walter Ferreira do
Nascimento, ferroviário, líder sindical e popular, construiu uma trajetória de
vida de sucesso, infelizmente não conseguimos falar com ele ou familiares, para
aprimorarmos sua história. Quem sabe, após a edição deste trabalho, conseguiremos
o contato. Consta que depois de demitido da ferrovia, cursou Direito, formou-se
e teria realizado concurso para a magistratura.
Era acusado constantemente
de ser militante do Partido Comunista Brasileiro e que inclusive, teria sido
apoiado pelos comunistas na campanha eleitoral de 1968. São diversas as anotações
encontradas em seu nome no Fundo DOPS do Arquivo Histórico de São Paulo, a
maioria delas por participação em greves da Estrada de Ferro Sorocabana e por
ser militante comunista.
Nenhum comentário:
Postar um comentário