sexta-feira, 19 de setembro de 2014

MASSILON BUENO

“ A coerência,  a ética e a moral são natas no ser humano, não podendo serem confundidas com a hipocrisia e a falsidade, que nada mais são que deformação do caráter do ser humano”.

Filho de Antonio Basílio Bueno e de Elza Tavares, nascido em 23 de Abril de 1909, em Botucatu, Estado de São Paulo, era Chefe de Trem e militante do Partido Comunista Brasileiro –PCB -, tendo sido integrante do Diretório Municipal de Assis – Sp., no ano de 1947, quando da efêmera legalização da legenda. Dos demitidos da Sorocabana, indiscutivelmente era, um  dos mais monitorado pela polícia política, tendo uma ficha no antigo DOPS com 364 páginas. Sócio fundador do Sindicato dos Ferroviários em 1934 esteve a partir desta data, presente em todos os movimentos reivindicatórios da categoria.
A primeira anotação em seu prontuário informa que em 9 de dezembro de 1946, em sessão plenária do Comitê Municipal do PCB, em Assis, Estado de São Paulo,  foi empossado como secretario sindical dos ferroviários  e que era elemento comunista e agitador da Sorocabana, constando de uma relação de comunistas perigosos e que participara de comícios comunistas em Echaporã, Ibirarema, Palmital, Sorocaba, Assis e Bauru.
Em 1948, o Delegado Regional de Policia de Assis, senhor Francisco Franco do Amaral, encaminhava oficio para seus superiores em São Paulo, afirmando que depois de exaustivas investigações, havia prendido comunistas que aliciavam os ferroviários, para fazerem greve por melhores salários e dentre os presos, nosso protagonista e que neste mesmo ano, foi um dos demitidos da ferrovia, em decorrência de participação em movimento grevista, tendo conseguido retornar anos depois ao trabalho, por pressão da classe ferroviária, continuando de forma sistemática e coerente seu trabalho, buscando unificar a categoria para defesa de seus direitos.
Neste mesmo ano de 1948, já residindo em Santos, Massilon foi eleito, em Assembleia Ferroviária realizada em Botucatu, como presidente da Comissão Central de Reivindicações dos Ferroviários e em 11 de dezembro deste ano, foi realizada reunião com os ferroviários na cidade de Santos, organizada pela Comissão Central, organizada por nosso protagonista e pelo maquinista Otavio de Oliveira e que contou com a presença do deputado Porfirio da Paz. Em 13 de dezembro deste ano, antes de reunião que seria realizada em Sorocaba, Massilon, Benedito Elpidio Marcondes, Benedito Machado, Manoel Ortiz, Adelino Rodrigues e outros ferroviários envolvidos no movimento reivindicatório foram presos e conduzidos para o DOPS/Sp., em diligencia comandada pela Polícia de Sorocaba, cujo delegado, Francisco Franco do Amaral, encaminhou ofício para São Paulo, informando da operação:
“ ... tomando conhecimento que estava marcado para ontem, dia 13, às 20 horas, uma reunião de ferroviários da Sorocabana que seria realizada na atual sede do Partido Social Progressista – P.S.P -, a rua Álvaro Soares, 54, iniciamos diligencias com a intenção de apurar o verdadeiro caráter desta reunião, acabando por constatar que era promovida por elementos comunistas, não somente desta cidade como de outras, sendo o organizador da mesma, Massilon Bueno, residente em Santos e conhecido agitador comunista...
... diante das provas colhidas, contra a pretendida reunião, foram detidos os elementos responsáveis por sua organização, o que veio a comprovar as suspeitas levantadas contra os mesmos, pela farta documentação encontrada com os responsáveis, conforme figura no inquérito instaurado...”
No dia 19, deste mês, o jornal NOTÍCIAS DE HOJE, publicava:
“... continua a ser posto em pratica o plano elaborado em comum acordo pela polícia e a direção da Estrada de Ferro Sorocabana com a finalidade de impedirem a grande assembleia de hoje, em que os ferroviários debaterão o problema do Abono de Natal. Permanecem presos os ferroviários membros da Comissão Central e o comerciante Pedro Wasserman de Botucatu. Ao primeiro pedido de informações formulado pelo Juiz da 4ª Vara Criminal, respondeu a policia, faltando com a verdade, que não havia ferroviários presos. Ao segundo pedido de informações, provocado por um novo habeas corpus, impetrado em favor dos presos, não deu o DOPS comandado pelo delegado Affonso Celso , nenhuma resposta. Enquanto isso, Massilon Bueno, presidente da Comissão, Benedito Elpidio Marcondes e outros trabalhadores , permanecem afastados do convívio dos seus. A pedido da Estrada, certamente, a policia pretende manter os ferroviários presos até depois do Natal, quando, segundo pensa, os trabalhadores não terão mais razão para lutar pelo abono de natal...
... contudo os ferroviários não se intimidam e a assembleia realizar-se-á. Virão delegações de diversas cidades do interior e os ferroviários sabem que não é crime lutar pelo abono de natal. Santos, Sorocaba, Bauru, Assis, Ourinhos e outras cidades enviaram seus representantes para cumprir com a tarefa traçada na grande reunião de Botucatu. Com certeza, os trabalhadores estarão presentes em grande número, hoje, no Salão Royal, na Barra Funda...”
Suas andanças constantes por toda a linha da Sorocabana, o fizeram ser indiciado em Inquérito Policial por parte do DOPS, onde foi ouvido em 15 de Dezembro de 1948, período em que este departamento informava a justiça, que não estava preso:
“... o declarante pertenceu ao Partido Comunista Brasileiro, na sua fase legal, em Assis, exercendo às funções de secretário político. Desenvolveu a campanha pró-Adhemar de Barros e, como resultado, a legenda P.S.P.-P.C.B., venceu nas urnas com ampla maioria. Posto o P.C.B. na ilegalidade, o declarante transferiu-se para Santos, procurando afastar-se das competições politicas de qualquer natureza, atendo-se somente as lutas sindicais dos ferroviários da Sorocabana...
Enquanto estava preso com outros companheiros de luta, a policia continuava a investigar, sendo que em 14 de dezembro, o delegado do DOPS, Eduardo Lousada Rocha que estava em diligências na cidade de Sorocaba, enviava Radiotelegrama para a Delegacia de Polícia de Itapetininga, determinando a prisão de Francisco Luvisoto, que estaria envolvido nos preparativos para a greve. Determinava que fossem providenciadas busca pessoal e domiciliar, oitiva do preso em declarações e remessa do mesmo para o DOPS de São Paulo.
Libertado, a luta continuou. E logo em 19 de Janeiro de 1949, estava com seus companheiros da Comissão Central, apresentando a direção da Estrada, a pauta de reivindicações dos ferroviários e dentre elas, o abono de natal. Interessante, registrar teor do ofício encaminhado pela Comissão ao senhor diretor da Estrada:
“... atendendo ao já combinado entre os demais representantes, queremos entregar hoje, às 15:00 horas, memorial contendo as reivindicações mais sentidas pela classe...
... solicita, portanto, a V.S. que mande abrir as portas, democraticamente, do salão desta diretoria, para que possam entrar os ferroviários que patrocinam a causa...”
No dia seguinte, a direção da Estrada encaminhou oficio ao Coronel Nelson de Aquino, Secretário de Estado dos Negócios da Segurança Pública, onde relata o encontro e solicita enérgicas punições aos membros da Comissão Central, liderada por nosso protagonista, adiantando que o mesmo esteve na diretoria, acompanhado por mais de cinquenta ferroviários no dia anterior.
Em 21 de janeiro de 1949, o delegado de policia de Sorocaba solicita ao Delegado de Ordem Politica e Social de São Paulo, Eduardo Lousada Rocha, a prisão dos comunistas Carminio Caramante, Jose Ribeiro, Renê Boschetti, Flavio Moraes e Oswaldo Rio Branco que estariam articulando movimento grevista da Sorocabana. Informa que depois de retirarem  seis mil boletins confeccionados na gráfica do Jornal A Comarca em Porto Feliz, seguiram em direção a Botucatu, onde poderão ser encontrados.
Em 13 de julho de 1949, novo relato informando que boletins estão sendo distribuídos aos ferroviários, com teor nitidamente comunista, assinados pela Comissão Central, da qual fazem parte, Massilon, João Tardivo, Antonio Ribeiro Silva e Benedito Francisco Vieira. Este boletim vem sendo distribuído por Luiz Pacheco Galvão.
Em dezembro de 1949, relatório do DOPS, apresenta as moções aprovadas pelo pleno do Comitê Municipal de São Paulo, mostrando de forma clara que a policia politica, possuía infiltrados dentro da organização partidária. Eis os principais tópicos:
“...reunidos para balancear as atividades do partido na capital, neste último período, constatamos que ainda não fomos capazes de com a necessária urgência, colocar em pratica as resoluções do Comitê Estadual e do Comitê Nacional. Constatamos, também, que a nossa maior debilidade é ainda a de não termos sido capazes de desencadear lutas de envergadura, como exige nossa linha politica...
...constatamos que a causa disso está no oportunismo da velha linha politica, ainda enraizada em todos os escalões do partido, manifestando-se das mais variadas formas...
...reafirmamos nossa confiança absoluta nas duas instancias superiores e sentimo-nos orgulhosos de seus exemplos em realizarem autocríticas, que nos servem de estimulo para o aprofundamento da nossa, incentivando-nos a nos colocarmos a altura de nossa linha politica...”
...levar a todo partido, a nossa autocritica pela subestimação com que tem encarado o problema dos presos políticos, dentre eles, o camarada Pedro de Oliveira...                                                                                                                                                        
Agentes do DOPS, em 4 de janeiro de 1950, faziam relatório a respeito de reunião realizada na rua do Carmo, 54, na cidade de São Paulo:
“... a reunião foi realizada, sem nenhuma divulgação previa, com todos os seus elementos determinados com a finalidade de evitar acesso a estranhos, isso é, realizaram uma reunião clandestina. Objetivavam tomar o comando dos funcionários públicos federais, estaduais e municipais, bem como os das autarquias, transformando a assembleia permanente de funcionários públicos, que ultimamente vinha agitando os funcionários em torno de reivindicações, em uma espécie de MUSP, MUT, etc... A esta reunião compareceram umas 60, 70 pessoas, na sua quase totalidade membros do PC, que sem maiores preâmbulos elegeram a sua diretoria provisória que dentro de quinze dias deverá providenciar a eleição de sua diretoria definitiva. Tal diretoria, ora eleita, é a seguinte: Presidente: professor Hadock Lobo; Vice-Presidente: Massilon Bueno; 1º secretário: Sebastião Costa; 2º secretário: Jathero de Faria Cardoso; 1º tesoureiro: Laercio Marques Leite; 2º tesoureiro: Guiomar Alvares; Assistente Social: Ênio Sandoval Peixoto, Carmino Caribo e João Guilherme; Propaganda: Paulo R. Silva; Esporte: Waldemar Zumbano; Departamento Feminino: Lídia Toscano de Brito. Dentre os assuntos tratados, referentes a funcionários públicos e ferroviários, deliberou-se dar solidariedade a CSAL – Conferencia Sindical da América Latina – que se realizará em Montevidéu...”
No dia seguinte, em 5 de Janeiro, o jornal NOTÍCIAS DE HOJE, noticiava a realização do Congresso da CSAL, para o final de janeiro, anunciando a criação de uma comissão com a finalidade de organizar a delegação paulista:
“...sob o patrocínio da CSAL, será realizada em Montevidéu, a conferencia sindical dos trabalhadores da América do Sul, convocada de acordo  com a resolução do II Congresso Sindical Mundial, efetuado em Milão, com a participação dos trabalhadores paulistas. Nesse conclave, serão discutidos os seguintes pontos do máximo interesse para os trabalhadores: 1- situação da massa trabalhadora e suas lutas; 2- unidade e organização da classe operária; 3- a luta pela paz e independência nacional dos povos. A comissão pró conferencia sindical dos trabalhadores da América do Sul lança um  vigoroso apelo aos trabalhadores manuais e intelectuais da cidade e do campo de São Paulo e a todas as suas organizações para que participem ativamente do conclave, elegendo delegados, angariando os fundos necessários para a viagem dos mesmos e divulgando por todos a sua realização. A comissão era formada por Roque Trevisan, João Taibo Cadorniga, Armando Ferreira dos Santos, Massilon Bueno, Celestino dos Santos, Yolanda Pincigher, Faustina Bonimani Jose Joaquim Santana, Sebastião Costa, Mario Barbosa, Moacir Ramos, Rafael Monteaperto, Orly Andrezzo, Abelcio Bitencourt Dias, Severino Vicente da Silva, Geraldo dos Santos, Arlindo Alves Lucena e Salvadora Lopes.
Em 14 de janeiro de 1950, uma reunião com os ferroviários em Botucatu, amplamente convocada por boletins e pichações, acabou sendo proibida de ser realizada por não contar com autorização da policia, entretanto, os vereadores João Batista Domene, do PTN; José da Silva Coelho, da UDN; Progresso Garcia, da UDN; Alberto Monteiro da UDN; Francisco Ramires e Nestor Nunes de Oliveira, ambos do PSP, reuniram-se com as autoridades policiais e requereram a realização da reunião que foi autorizada, desde que se ativesse a assuntos de interesse da classe ferroviária, e em especial, da reinvindicação contra o veto a artigo da lei 209 que estendia o aumento concedido aos funcionários estaduais para os funcionários autárquicos. Vamos ao relatório policial sobre esta reunião:
“... assim, a reunião foi efetuada debaixo da maior ordem, com  a presença de cerca de cem pessoas, na maioria, ferroviários, funcionando como presidente da sessão João Batista Domene e secretário, o ferroviário Armando Audi...
...diversos oradores filiados a diversos partidos políticos fizeram uso da palavra, todos em tom moderado e sem criticas acerbas as autoridades, até que Massilon Bueno, até então desconhecido desta regional e dos inspetores desta especializada, começou a discursar, esclarecendo-se então a finalidade da reunião. O senhor Massilon discutiu a situação precária dos ferroviários e funcionários públicos, concitando-os a se unirem em defesa da classe, a fim de pleitearem dentro da ordem e pelos caminhos legais, reivindicações essenciais para a classe...
... no final dos trabalhos, o senhor Massilon sugeriu que fosse escolhido um representante de Botucatu para participar do Congresso Geral dos Trabalhadores que seria realizado em Montevidéu e ainda a formação de um caixa, para as despesas...
... quanto aos vereadores que intercederam pela realização da reunião, os três pertencentes a UDN procuram apenas vantagens politicas; o senhor João Batista Domene pertencente ao PTN, é simpatizante do extinto P.C. e os vereadores Francisco Ramires e Nestor Nunes de Oliveira, pertencentes ao PSP, são elementos comunistas bastante conhecidos...
... sugerimos desde logo, a interferência desta especializada, no sentido de ser conseguida a remoção desta cidade, do ferroviário Hermes Valente, trata-se, ao nosso ver, de elemento realmente perigoso e por suas maneiras rudes, suas atitudes sempre encontram maior ressonância entre os ferroviários...”
De Botucatu, as lideranças ferroviárias seguiram para Itapetininga, no dia 21, onde realizaram reunião no saguão da Estação Ferroviária, onde em discurso emocionado, Massilon agradeceu a solidariedade recebida dos ferroviários da Central do Brasil, antes porém, retornaram a São Paulo, onde no dia 15, realizou-se Assembleia para eleição da diretoria definitiva da Associação Unitária dos Funcionários Públicos em São Paulo, mantendo-se a diretoria provisória eleita no início do ano.
Neste meio tempo, informações arquivadas no DOPS, com relatório de 19 de janeiro, davam conta que Massilon, Celestino e Benedito Elpidio Marcondes, estavam aproveitando as reuniões realizadas com a classe ferroviária, por todo o interior, para reorganizarem o Partido Comunista na ferrovia.
Em 24 de janeiro de 1950, relatório reservado informa que em Assembleia dos Ferroviários, realizada no Clube Dramático e Cultural Royal, em São Paulo, com a finalidade de se discutir o veto do governo ao artigo 53, da Lei 209, que estendia o aumento concedido aos funcionários estaduais para os funcionários de autarquia, Massilon teria feito uso da palavra:
“... em outras palavras disse que o veto do senhor governador foi um ato de estupidez e com frases violentas procurou demonstrar a força de que dispõe os ferroviários, quando unidos, ilustrando esta afirmação com outros casos de revés, que foram revertidos com luta e persistência..”
Em informe de 18 de março de 1950, a policia de Botucatu informa que com a libertação dos ferroviários, considerados como “cabeças de greve”, estes já estão articulando novo movimento paredista, em protesto contra o veto ao artigo 53, da lei 209. O movimento vem sendo liderado por Benedito Elpidio Marcondes, Luiz Galvão de França e Massilon Bueno, estranhando a policia, a ausência de Celestino dos Santos nestes preparativos.
Em 14 de agosto de 1950, assembleia realizada na sede da Associação Unitária dos Funcionários Públicos em São Paulo, com a presença dos deputados Manoel da Nobrega e Silvio Gonçalves de Lima Ferreira, e evidente, assunto para relatório do DOPS:

“... após assinar o livro de presenças, com nome suposto, simulando ser funcionário da Sorocabana, adentrei ao recinto, onde se iniciavam os trabalhos...

...as primeiras palavras do Deputado Manoel da Nobrega foram as de que não era comunista, mas sim um democrata, disposto a lutar e defender as justas reivindicações de qualquer classe dos trabalhadores, notadamente a dos ferroviários, recomendando que a classe deveria unir-se mais e organizar-se melhor, para desta forma cuidar melhor de seus direitos...

 ... em seguida, falou o já conhecido agitador comunista, Massilon Bueno que confirmou a necessidade da unanime união dos ferroviários, já dito pelo deputado Manoel da Nobrega, para que todos numa única voz, possam gritar e exigir seus direitos. Elencou muitos casos de injustiças praticadas pelos dirigentes da Sorocabana, enfatizando que foi afastado de suas atividades, porque trabalhou pelo recebimento do abono de natal e continuou, em caráter de denuncia afirmando que além de ser demitido, a uma e meia da madrugada, quando já estava dormindo em seu lar, foi preso e remetido para o DOPS de São Paulo, onde permaneci preso por sessenta dias. Esse, senhores, foi o premio que ganhei por tudo o que tenho feito pela Sorocabana! Meu pai, trabalhou durante trinta anos para esta companhia e eu já trabalho há 24 anos e até o que tinha de mais precioso dei a ela. Era meu filho, que tirando do ginásio, porque não era mais possível sustenta-lo estudando, o coloquei para trabalhar na Sorocabana e um certo dia, este meu filho foi colhido por uma locomotiva e morreu. Foi esse, senhores, o premio que recebi...

... em seguida, falou o representante dos ferroviários de Botucatu, pessoa já idosa e que não consegui identificar que afirmou em seu discurso da necessidade de em futuras reuniões, ser exigida identificação de todos quantos delas tomassem parte, com a finalidade de evitar que elementos estranhos a classe nelas se intrometessem e também com a finalidade de se evitar infiltrações de representantes da infame e carniceira policia...”

Ainda em 1950, relatório do Serviço Secreto do DOPS, informava que havia sido eleita nova diretoria da Associação Unitária dos Serviços Públicos do Estado de São Paulo, em assembleia presidida pelo notório comunista Pedro Trevisan que substituiu o presidente cessante, engenheiro Jathero Faria Cardoso que não pode comparecer. Foi eleito presidente da entidade o medico da Secretaria da Justiça, João Bellin Burza e como vice-presidente, Massilon.
Em 19 de setembro, deste ano, o delegado do DOPS,  Hugo Ribeiro da Silva, requeria a decretação de prisão preventiva para: João Bellin Burza, Massilon Bueno, José João Mazzucato e João Benini, como “cabeças de greve” da Sorocabana, medida negada pelo juiz da 4ª Vara Criminal de São Paulo.
Em 25 de setembro, a regional do DOPS de Sorocaba informa que nosso protagonista, juntamente com Carminio Caramante e João Bellin Burza, tem sido vistos constantemente na cidade e constatou-se que estão em contatos com trabalhadores de Votorantim e depois destes contatos, estão surgindo boletins naquela cidade, conclamando os operários têxteis a greve. Estes visitantes comunistas e agitadores tem se reunido, de forma sistemática com Sebastião Mineiro, Salvadora Lopes Peres, Ricardina Velasco, dentre outros, e com certeza os boletins estão sendo preparados e distribuídos por estes. Foi observado igualmente que nos dias mais agitados pela onda da greve, sempre se encontrava presente uma perua do P.T.N., com propaganda do candidato a deputado estadual Diógenes de Carvalho Neves, que tem sido visto em contato constante com os agitadores comunistas.

Logo em 9 de Janeiro de 1951, o delegado de polícia do DOPS/Santos, enviava o seguinte informe para São Paulo, onde dizia ter localizado o perigoso agitador comunista. Vamos a ele:

“ após quatro dias de investigações, cumpre-me informar o seguinte, sobre o paradeiro de Massilon Bueno, da Associação Unitária dos Funcionários Públicos e Autárquicos do Estado, contra quem existe um mandado de prisão na Delegacia de Vigilância e Capturas. Referido individuo está residindo em Santos, em casa de madeira de propriedade da Estrada de Ferro Sorocabana, casa nº 10 ( na altura, mais ou menos, da praça Washington, bairro José Menino). As informações obtidas foram a de que atualmente é chefe de uma turma de trabalhadores, na faixa do cais, pertencente a Companhia Docas, constando estar presentemente desligado do PCB. Sua prisão só poderá ser realizada de madrugada, mediante cerco de sua casa, pois os fundos da mesma dão para um terreno baldio, propicio, por isso mesmo, a fuga do referido militante comunista”.

Ou a eficiência da policia politica de Santos deixava a desejar, ou Massilon não “dava sopa para o azar”, pois embora tivesse sido localizado seu paradeiro em janeiro, somente em 20 de maio daquele ano foi preso, tendo sido apresentado no dia seguinte ao DOPS de São Paulo, tendo sido encaminhado, com oficio, a Delegacia de Vigilância e Captura, pelo delegado Clodoaldo de Abreu e escrivão Milton de Toledo.

Em 1951, estava programado para a cidade de Bauru a realização de um Congresso pela Paz Mundial e Cultura, e os ferroviários do CONSELHO DE PAZ DOS FERROVIÁRIOS DO ESTADO DE SÃO PAULO, enviaram uma delegação e dentre eles Massilon, com uma mensagem aos participantes:
“ Companheiros Ferroviários:
Temos no momento, duas tarefas de honra a cumprir: 1ª) Enviar o nosso delegado, Massilon Bueno, ao México e 2º), fazer do Congresso de Bauru, uma manifestação que não deixe duvidas aos provocadores de guerra sobre a nossa decisão de defender a paz, mas para que realizemos vitoriosamente o nosso dever é preciso que cada um se compenetre do real perigo de guerra e da necessidade de ser impedida nova carnificina. Por isso, lançamos o nosso apelo a fim que todos colaborem, com a finalidade de cobrirmos a quantia necessária para a viagem de nosso delegado, pois os ferroviários paulistas precisam estar representados no Congresso do México e através da boca de nosso representante, gritar aos fabricantes de bombas atômicas que não empunharemos armas para massacrar povos irmãos, em beneficio dos trustes internacionais. Companheiros, detenhamos o punho do opressor. Cubramos a cota para que Massilon Bueno compareça ao México. Tudo pelo Congresso do México! Tudo pelo Congresso de Bauru!
Na realidade, esta manifestação de Bauru, chamada de Congresso, acabou sendo reprimida pela polícia e acabou não se realizando em praça público, como era desejado pelos organizadores. Diversos dos presentes foram detidos, e o General Leônidas Cardoso, acabou se dirigindo a Policia local, intercedendo pela libertação dos mesmos. O Congresso acabou se realizando na residência do militante politico e lenheiro da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, Delamare Machado da Silva.
Segundo as anotações policiais, muitas vezes realizadas de forma reservada pelos investigadores da polícia politica, dão conta que em 15/10/1953, teria participado de uma reunião da União Geral dos Trabalhadores de São Paulo, onde teriam sido planejadas diversas ações a serem desenvolvidas pelos comunistas em nosso estado, e também, fazia parte de uma listagem dos comunistas atuantes na cidade de Assis-Sp. O monitoramento era constante, trazendo informações de sua participação em eleições da Cooperativa de Consumo dos Ferroviários da Sorocabana, sempre constando nestas informações a sua militância comunista.
Em março de 1956, como já vimos na história de Luiz Basqueira, os diretores da Cooperativa de Consumo dos Ferroviários da Estrada de Ferro Sorocabana: Luís Laprista, Aldo Zacharias e Virgílio Marques Penteado,  demonstrando cabalmente que eram desprovidos de ética, moral e companheirismo, encaminharam ofício ao DOPS, mais precisamente ao delegado Antonio Ribeiro de Andrade, informando que iriam ocorrer eleições para renovação da diretoria da entidade e, aproveitando o ensejo, denunciam a chapa oposicionista, encabeçada por Guarino Fernandes dos  Santos e que tinha nosso protagonista, como membro do Conselho Fiscal:
“... esta chapa, senhor delegado, é composta em quase toda a sua totalidade por elementos pertencentes ao Partido Comunista Brasileiro, conforme poderá se constatar nos arquivos existentes neste departamento...
E depois de várias cantilenas anticomunistas, alegando que os comunistas eram perigosos e andavam armados, solicitavam reforço para o dia das eleições e, aliás, para o dia programado, 26 de março,  suspenderam o pleito, ocasionando tumulto na sede da Cooperativa, sendo as eleições realizadas em 20 de maio de 1956, com a vitória da chapa de Guarino e Massilon. As eleições foram presididas pelo Dr. Arthur Ramos Leal, representante do Ministério da Agricultura e claro, mereceu relatório do DOPS que dizia que os comunistas compareceram em peso nas eleições.
Se em 1957, em relatório circunstanciado é mencionado como um dos responsáveis pela convocação de greve, em 1960, eis que, surge como um dos apoiadores do General nacionalista Henrique Lott para a presidência da República e Jango Goulart para a vice-presidência, não custando recordar que o voto era desvinculado e o eleitor escolhia separadamente o presidente e o vice.
Ou a policia politica de Botucatu era mais atuante ou a UNIÃO tinha a cidade como uma de suas prioridades, afinal, é numeroso o número de informes do DOPS desta cidade, dando conta da realização de assembleias ferroviárias na cidade, sendo que em 16 de agosto de 1961, foi realizada uma com a presença de 150 ferroviários, presidida por Mario Franco de Godoi e com a presença de Guarino, Massilon e do vereador Francisco Ramirez, militante comunista na cidade. A pauta era composta por reinvindicações a serem apresentadas a direção da Estrada.
Em 1962, era novamente acusado de estar insuflando movimento grevista e que o presidente da UNIÃO, Guarino Fernandes dos Santos, havia solicitado que Massilon fosse avisado em Santos, dos rumos do movimento grevista, sendo que este não vinha medindo esforços para a paralização ser total na baixada santista, sendo que posteriormente a esta greve, a ferrovia, dirigida pelo engenheiro Chafic Jacob, promoveu a transferência de diversos líderes grevistas, dentre eles, Massilon que foi transferido para a cidade de Piracicaba. Para não fugir de seu estilo, o líder ferroviário convocou uma Assembleia com a finalidade de discutir com a categoria, a sua remoção.  A Assembleia definiu que o mesmo não deveria aceitar a remoção e esta decisão, foi comunicada pelo próprio a direção da Estrada:
“...enviei carta ao diretor da E.F. Sorocabana comunicando que por decisão de Assembleia da classe ferroviária, foi aprovada a devolução da carta de remoção para Piracicaba ao chefe de Estação de Santos. Os ferroviários consideraram a remoção como um instrumento de perseguição, fruto das ameaças do senhor Chafic Jacob. Afirmo na carta que não aceitamos responsabilidades pelas ocorrências provenientes da situação criada pela exploração impune daqueles que vivem de salários: A Força Pública, Jornalistas, radialistas e até Juízes do Ministério do Trabalho, lançando mão da arma pacifica que é a greve, disseram não a alta do custo de vida e por esta mesma atitude, somos vitimas de vingança pessoal por parte de pessoas que não apreciam nossas atitudes em defesa da classe ferroviária. Eu, Massilon Bueno, não aceito esta remoção, nas condições em que foi feita, porque a dignidade de um homem consciente exige que se imponha respeito a nossos direitos. De Santos não me afastarei, obedecendo a deliberação desta Assembleia. Demitindo-me pela segunda vez, pelo mesmo motivo de defender a classe, estarão cometendo uma injustiça maior...
Continua Massilon, em sua carta ao Diretor da EFS:
... Junto a esta missiva um Atestado Médico de saúde de minha esposa, provando que seu estado não permite o afastamento de Santos, devido alterações em sua pressão arterial alterada pelo distúrbio emocional, causado na ocasião em que perdemos um filho de dezesseis anos, morto no limpa-trilhos de uma locomotiva, lutando por uma Sorocabana maior e melhor...
... deixo claro que esta remoção é uma imposição fascista, ditatorial, antidemocrática que somente poderia ser praticada por um paranoico, que ocupando cargo de responsabilidade, tornou-se um carrasco dos ferroviários da Sorocabana...”.
Em 18 de fevereiro de 1962, a Delegacia de Polícia de Santos, envia telegrama para São Paulo, com a informação de que Massilon estaria agitando a classe ferroviária, preparando movimento grevista em busca de 45% de aumento salarial e em fevereiro do mesmo ano, em relatório dirigido ao delegado Hélio Pereira Pantaleão, o agente do DOPS informava que no dia 14 de fevereiro, havia sido realizada assembleia da UNIÃO em São Vicente, presidida por Guarino Fernandes dos Santos e que na ocasião, Massilon discursara de forma inflamada:
“... deu conta aos presentes do movimento grevista instaurado em 25 de janeiro pp., lendo em seguida um memorial, na qual solicitava da Sorocabana o afastamento do engenheiro Chafic Jacob, denunciando a perseguição por parte deste engenheiro, aos integrantes de piquetes de greve, tendo já havido a transferência de Gilvan Freire Barros, da divisão de Santos para o ramal de Dourados e de Raimundo Pereira da Silva, também de Santos para Presidente Prudente, além de sua própria para Piracicaba. Nesta altura, vários apartes foram solicitados, com os aparteantes insistindo em ameaças de morte ao engenheiro...”.
Nova reunião realizada em 1º de fevereiro de 1962, em Botucatu sob a presidência de Mario Franco de Godoi, contando com a presença de Massilon e Guarino, com Massilon discursando sobre o direito de greve, afirmando:
“... estão nos processando, deixem que nos processem, porque sabemos responde-lo e não será uma mera portaria ministerial que irá revogar lei aprovada e amparada pela constituição, que nos garante o direito de greve...”.
Em 9 de setembro de 1962, relatório reservado informava que a UNIÃO havia realizado assembleia em sua sede, no bairro de Catiapõa, em São Vicente, com a presença de Guarino Fernandes dos Santos, Francisco Gomes e Massilon, discutindo a pauta de reinvindicações que seria apresentada ao governo do Estado e dentre elas, o pagamento do 13º salário. Embora previsto desde a década de 40, na CLT, o 13º salário não era pago e se tornava presença constante na pauta de reivindicações.
Neste mesmo ano de 1962, Massilon foi candidato a Deputado Federal em dobradinha com Guarino Fernandes dos Santos, que foi candidato a Deputado Estadual e embora tenham tido boa votação, não conseguiram se eleger. Transcrevemos a seguir, o manifesto de Massilon, aos ferroviários, em busca de voto:
“ Massilon Bueno é o candidato dos ferroviários. Toda a sua vida foi dedicada aos problemas e as reivindicações dos trabalhadores em Estradas de Ferro. Desde 1925, Massilon trabalha na Estrada de Ferro Sorocabana, onde começou como ajudante de artífice truqueiro. Foi fundador do Sindicato dos Ferroviários da Sorocaba em 1934 e começou as atividades da Cooperativa de Consumo. Posteriormente, lutou pela Organização da União dos Ferroviários da Estrada de Ferro Sorocabana. Participou de uma serie de palestras pela Paz Mundial, no Brasil e no Exterior, tendo sido delegado, ainda, em Congressos de Trabalhadores no México, Havana e Moscou. Com base num longo passado de lutas, foi que os trabalhadores da baixada santista, lançaram o nome de Massilon Bueno para deputado federal, salientando que os ferroviários não devem votar nos falsos representantes ferroviários, que só se apresentam em épocas de eleições. O comitê de Massilon funciona no sistema de boa vontade. Eles conclamam: Monte imediatamente, operário, um comitê em seu lar, para derrubar esta fortaleza que usa todos os meios para manter o nosso povo na mais negra miséria. O único compromisso deste comitê é o de escrever cinco cartas, para cinco pessoas honestas, de sua confiança e que devem ser entregues em mãos, com o compromisso destas pessoas fazerem o mesmo, pedindo o voto dos trabalhadores de  sua categoria, em uma pessoa que tenha um passado capaz de garantir um futuro de lutas e que prefiram passar fome, a trair a classe e que  tenham uma vida inteira na vanguarda da defesa dos justos  e legítimos direitos daqueles que labutam incessantemente nas estradas de ferro. Para Deputado Estadual, Massilon está com GUARINO FERNANDES DOS SANTOS, presidente da UNIÃO e defensor intransigente da classe ferroviária. VOTE MASSILON e GUARINO, para o bem da classe ferroviária.”
Em 4 de setembro de 1962, a Delegacia de Polícia de Botucatu, informava que este reunido com os ferroviários daquela cidade, em companhia de Guarino Fernandes dos Santos e Francisco Gomes, em campanha eleitoral dele, para Deputado Federal e de Guarino para Estadual.
Em 27 de outubro de 1963, esteve na Vila Ferroviária de São Vicente, onde realizou rápida reunião na Associação respectiva, concitando os presentes a se reunirem novamente dia 10 de novembro, para possível nova deflagração de greve da Sorocabana, caso até aquela data não sejam atendidas suas reivindicações, como o pagamento de 13º salário, retroativo a 1962.
Em março de 1964, mais precisamente na primeira quinzena, uma Assembleia das Confederações representativas dos trabalhadores brasileiros realizou-se na cidade de São Paulo, com a finalidade de iniciarem os preparativos para a realização de um grande ato no dia 1º de Maio, ocasião em que os trabalhadores dariam uma demonstração de aglutinação de massas, favoráveis ao presidente João Goulart. Nesta mesma Assembleia ficou deliberado  que uma comissão de dirigentes sindicais seguiria para Bauru, com a finalidade de verificar “in loco” a situação de Jofre Correa Neto, líder camponês encarcerado naquela localidade por ter invadido uma fazenda improdutiva de propriedade do mau patrão, JJ Abdala. Teriam surgido informações de que Jofre teria desaparecido da cadeia, juntamente com o carcereiro, com suspeitas de que o líder camponês teria sido envenenado. Mesmo com a improcedência da informação sobre a presumida morte de Jofre, resolveu-se posteriormente, enviar telegramas ao Ministro da Justiça e ao Presidente da República, no sentido de que intercedessem por Jofre, antes que o mesmo efetivamente desapareça.
Dos apontamentos no DOPS, era constante a movimentação de Massilon, sedo que em 26 de setembro de 1963, o delegado Agnelo Audi, de Botucatu, informava que em companhia de Mario Franco de Godoi e Celestino dos Santos, João Batista Domene e Francisco Costa, realizaram reunião com os ferroviários para comunicarem que se a ferrovia não atendesse suas reivindicações até o dia 30, do mesmo mês, os ferroviários entrariam em greve dia 3 de outubro.
Assim a vida deste líder era monitorada diuturnamente pela repressão política, davam conta novamente da sua presença em Botucatu –Sp., participando de Assembleia preparatória para o movimento grevista de 12 de novembro de 1963, que durou dezoito dias. O delegado de Polícia de Botucatu enviou o telegrama abaixo para São Paulo:
“... comunico v.s., assembleia realizada sábado ultimo dia 8 vigente, às 20:00 horas, sede União Ferroviários da Sorocabana, no Palacete Lunardi, Vila dos Lavradores, congregando elementos da citada agremiação. Na presidência figurou ferroviário Mario Franco de Godoi que distinguiu um único orador, Massilon Bueno que invocou principalmente aumento dos funcionários públicos federais que considerou justo e reclamou idêntica medida por parte do governo estadual. Assinalou situação calamitosa dos inativos que estão com atrasos consideráveis no recebimento de diferenças de aumento de vencimentos. As 22:00 horas encerraram sessão, que contou com cerca de 100 pessoas, transcorrendo sob aspecto de ambiente calmo”.
Em 19 de dezembro de 1963, os ferroviários reuniam-se em Assembleia no Sindicato da Santos-Jundiaí, na rua Santa Ifigênia, São Paulo, e Massilon declarava:
“ ...que uma comissão daqueles trabalhadores esteve na Guanabara, a fim de manter contato com as autoridades e saber das mesmas, em que pé se encontra a prometida federalização da Sorocabana, visto que o prazo de 30 dias já está se esgotando e o governador de São Paulo nada resolveu em favor dos ferroviários. A resposta das autoridades federais é que estão estudando o caso; portanto, continua a mesma promessa e nada fazem de concreto. Por outro lado, as autoridades do Estado, também, nada querem, apesar dos vários ofícios já enviados as mesmas, solicitando uma solução para a questão...
... que o governador de São Paulo, ao invés de solucionar o impasse, vem complicando ainda mais, cerca de dois mil ferroviários já foram dispensados e noventa e seis estão sendo processados pelo DOPS, por participarem da greve. Diante destes fatos, decidimos convocar a Assembleia para hoje, quando a classe será colocado ao par da verdadeira situação. Que a ordem do dia é mobilizar a classe ferroviária, face estar se esgotando o prazo de trinta dias, sem nenhuma solução satisfatória para o caso. Que, na Assembleia de hoje, sairá a palavra de ordem para as Assembleias a serem realizadas ao longo da ferrovia ( 18 delegacias), a partir de amanhã, dia 20 até domingo, dia 22, mantendo assim, a classe em estado de alerta, pois existe a possibilidade de um novo movimento grevista...
...que, porem, desta vez a coisa será bem diferente, visto que, se for necessário deflagrar nova greve, os ferroviários da Sorocabana contarão com o apoio da CGT, PUA, P.A.C.,Forum Sindical de Debates e de mais dezesseis ferrovias do país, conforme acordo já firmado na Guanabara...
...disse ainda que, no último dia 18, uma comissão de ferroviários se avistou com o senhor presidente João Goulart, quando de sua visita a COSIPA, tendo, na oportunidade reiterado ao senhor presidente, a necessidade da federalização da E. F. Sorocabana, fazendo ainda, sentir ao senhor presidente, que o prazo de trinta dias está se esgotando. Em resposta, o senhor Jango Goulart, mais uma vez prometeu resolver a questão. Portanto, vamos aguardar o final do prazo, mas com a classe mobilizada.”
No final de 1963, dia 26 de dezembro, nova reunião em Botucatu, com Massilon incentivando os ferroviários a enviarem telegramas ao senhor João Goulart, cobrando a federalização da Sorocabana.
Às vésperas do Golpe Militar, em fevereiro de 1964,  e novamente na cidade de Botucatu, discursou criticando de forma áspera o governador Adhemar de Barros.
Em decorrência da greve de 18 dias, juntamente com outros líderes ferroviários, foi suspenso administrativamente por trinta dias, punição esta, renovada por mais trinta dias, suspensões estas preparatórias para sua segunda demissão dos quadros da ferrovia. Mesmo suspenso, subscreve um manifesto lançado pela UNIÃO, no qual, segundo a polícia,  “atacam exageradamente  os governadores Adhemar de Barros, Carlos Lacerda e Magalhães Pinto, taxando-os de gorilas e golpistas, incitando ainda os ferroviários a adentrarem em greve de protesto, contra os mesmos” e logo depois, subscreve novo manifesto apoiando deflagração de greve geral no Brasil, comandada pela CGT.
Indiscutivelmente, Massilon sempre esteve na vanguarda nas lutas da classe ferroviária, dotado de humanismo e solidariedade, e prova cabal disto, foi a organização de protestos pela prisão do companheiro de diretoria da UNIÃO, Francisco Gomes, na cidade de Assis e posteriormente, recambiado para o DOPS/Sp, sendo certo que não foi necessária a greve, graças a liberdade do sindicalista.
Em 8 de Janeiro de 1964, encaminhou ofício ao Presidente do Fórum Sindical de Debates, na cidade de Santos, solicitando colaboração financeira das entidades sindicais da baixada santista, para poder viabilizar o envio de uma delegação ao VII Congresso Nacional dos Ferroviários, que seria realizado em Recife, no final daquele mês, explicando que em decorrência da greve de dezoito dias realizada no final de 1963, em busca de melhores salários e condições de trabalho, os ferroviários da Sorocabana e suas entidades representativas vinham sofrendo represálias por parte do governador Adhemar de  Barros que dentre outras medidas, havia demitido 140 ferroviários contratados, suspendido por trinta dias, noventa e seis ferroviários, aumentado a penalidade para sessenta dias, com ameaças de chegar a noventa, além de, a partir do mês de novembro de 1963, ter suspendido o desconto em folha das mensalidades das associações de classe, e deste mês em diante, a UNIÃO estava em dificuldades de atender suas necessidades financeiras, buscando desta forma, de forma tirana e arbitraria, liquidar com as organizações de classe da Estrada de Ferro Sorocabana. Além disso, o não pagamento dos dezoito dias de greve, ocasionou um desequilíbrio financeiro nos vinte e dois mil ferroviários que participaram do maio movimento reivindicatório da história da ferrovia. Ante esta exposição, Massilon, finaliza dizendo que as dificuldades financeiras enfrentadas pela UNIÃO e pelos ferroviários, estavam impedindo a ida de ferroviários da Sorocabana, ao VII Congresso Nacional, e solicita a colaboração de outras entidades sindicais. O apelo foi atendido e uma delegação da Sorocabana esteve presente ao Congresso.
Foi preso em 1964, demitido da ferrovia e posteriormente, em 10/05/1966, foi absolvido pelo juízo da 12ª Vara Criminal, da acusação de instigador da greve de 18 dias. Mesmo demitido e enfrentando problemas de saúde, continuou atuando politicamente e sempre que possível, estava ao lado das lutas da classe ferroviária. Em março de 1966, o Juiz Wilson José de Mello, da 12ª Vara Criminal de São Paulo, absolveu todos os denunciados por instigação da greve de 12 à 30 de novembro de 1963. Foram absolvidos: Francisco Gomes, Guarino Fernandes dos Santos, Celestino dos Santos, Massilon Bueno, José Batista, Jacinto Dias Portes, Norberto Ferreira e Antonio Augusto Mendes Junior.
Homem forjado na luta, ético e coerente, deixa saudades perenes em todos que com ele conviveram, que se recordam da capacidade de sua oratória, conseguindo comover a todos que o ouviam. A seguir, alguns dos relatos policiais, sobre suas atividades políticas. Indiscutivelmente, ao lado de Carminio Caramante, Brasil Mirim, Francisco Ramirez, Celestino dos Santos, Francisco Gomes, Luiz Bascheira, Guarino Fernandes dos Santos, constituiu-se em uma das maiores lideranças dos ferroviários, no século passado.

Este texto faz parte do livro “Ferroviários, na LUTA”, de Antonio Pedroso Junior.

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