segunda-feira, 27 de abril de 2009

ARCÔNCIO PEREIRA DA SILVA.


"A humanidade precisa de sonhos para suportar a miséria nem que seja por um instante".
Oscar Niemeyer, arquiteto e marxista.

Ferroviário e militante marxista desde o final dos anos 40, é natural de Viçosa, em Alagoas, onde nasceu aos 16/09/1915, filho de Joaquim Pereira do Nascimento e de dona Maria Pereira de Oliveira, sendo que ainda jovem veio para o Estado de São Paulo e em 1936, aos vinte e um anos de idade, adentrou aos quadros da então Companhia Paulista de Estrada de Ferro.
Na prática, foi aprendendo, assimilando, as gritantes diferenças de classe existentes dentro da Estrada de Ferro e sofrendo com a miséria que grassava no seio da classe ferroviária, até que em 1946, recrutado pelo companheiro de trabalho Elias Calixto Bitar adentrou aos quadros do Partido Comunista, então na legalidade, com a intenção principal de estudar os princípios básicos do marxismo e colocá-los em prática na defesa dos direitos da classe trabalhadora, e, posteriormente, com o partido colocado na ilegalidade, participou da organização da Comissão Sindical dos ferroviários da Paulista e da organização da histórica greve de 20 de Janeiro de 1949, sendo que, em conseqüência deste movimento grevista foi demitido da ferrovia e condenado a seis meses de detenção além de multa de CR$ 2.000,00 ( dois mil cruzeiros ), como incurso nas sanções previstas no artigo 201 do Código Penal combinado com as penalidades previstas no Decreto Lei 9070 de 16/03/1946.
Arcôncio foi preso e cumpriu sua pena na Cadeia Pública de Bauru.
Demitido, preso, casado e com filhas para criar, continuava sua militância política e trabalhava naquilo que aparecesse para poder sobreviver. Colheu café, carpiu, colheu laranjas, tendo ao lado sua brava companheira Iraci, que fazia salgados e revendia cera, para completar o orçamento doméstico.
Na década de 50, participou de todas as lutas travadas pelo Partido Comunista e dentre elas:
“Comitê da Aliança Pró Paz e contra a Carestia"
"Cruzada Humanitária pela proibição das armas atômicas"
“Manifestos em Defesa de Luis Carlos Prestes"

Era considerado, desde o movimento paredista de 1949, um dos comunistas mais perigosos de Bauru e região, mesmo assim em 1957, por solicitação direta dos militantes do Partido e interferência do então Deputado Federal Luis Francisco de Carvalho, foi contratado pelo então Governador de São Paulo para trabalhar na extinta Estrada de Ferro Sorocabana, como conferente.
Diz a lenda, que o então governador, Jânio Quadros, ao ser alertado sobre a ideologia política de Arcôncio, perguntou:

-comunista tem família?
-comunista come?

E assinou a contratação de Arcôncio.
Imediatamente este adentrou aos quadros da União dos Ferroviários da Estrada de Ferro Sorocabana, liderando ao lado de Antonio Pedroso, Ramiro Pinto, Jeremias Renato Comin, Homero Penteado e outros, os movimentos reivindicatórios dos ferroviários em Bauru e região.
Com o advento do golpe militar de 1964 foi novamente preso, ficando na Cadeia Pública de Bauru por praticamente dois meses e aos 20 de Setembro do mesmo ano, foi demitido dos quadros da ferrovia por Decreto do então governador Adhemar Pereira de Barros com fundamento legal no Ato Institucional de 09 de Abril de 1964, indo trabalhar na Cooperativa de Consumo dos Ferroviários da Sorocabana, na cidade de Botucatu e posteriormente, com o fechamento desta, foi trabalhar como jornaleiro nos trens da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e posteriormente adquiriu uma Banca de Jornal e Revistas, na Praça Rui Barbosa, na cidade de Bauru. Em 1970, juntamente com João Batista Dias, Milton Bataiola e Oswaldo Penna foi preso às vésperas das eleições e levado para o Quartel do Exército de Lins.
Na década de 80, foi contratado pelo prefeito bauruense Tuga Angerami para trabalhar na Prefeitura Municipal de Bauru, pois muito embora em 1979, tenha sido anistiado com fundamento na Lei 6683/79, a FEPASA sucedânea da Paulista e Sorocabana, tão-somente veio a aplicar a legislação em 1983, durante o governo de Franco Montoro, ocasião em que foi reintegrado a ferrovia e aposentado, muito embora não tenha sido aplicado em seu caso e de seus companheiros demitidos a legislação em sua plenitude, transformando-o em parcialmente anistiado.
Entretanto, a luta não parou com a aposentadoria e acabou por fundar a Associação dos Aposentados e Pensionistas de Bauru e Região, sendo que na sua gestão como presidente foi adquirida a sede própria para a entidade, tendo sido agraciado com o titulo de “Cidadão Bauruense”, por iniciativa do vereador José Carlos de Souza Pereira – Batata – do Partido dos Trabalhadores.
Continua aos noventa e um anos de idade, militando no Partido Comunista do Brasil, demonstrando uma trajetória de coerência política e ideológica, além de esbanjar vontade para viver o resto de seus dias em uma pátria verdadeiramente livre.

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