segunda-feira, 27 de abril de 2009

JEFFERSON BARBOSA DA SILVA.

"Sentira medo desde o primeiro dia, desde há primeira hora - um medo que lhe vinha de baixo, das tripas, e lhe subia pelo estômago até a goela, como uma geada, amolecendo-lhe as pernas, os braços, à vontade. Medo é doença, medo é febre."
Euclides da Cunha -[O Tempo e o Vento].
Professor.
Membro da Federação Bauruense Estudantina no período do pré-golpe militar de 1964, na área cultural. Militante da JEC e da JUC, que era coordenada em Bauru pelo padre Luís Baldini. Buscava em conjunto com seus companheiros de entidade levar a cultura até os bairros da cidade. Depois do golpe permaneceu em Bauru até o ano de 1965. Em 1966 se mudou para São Carlos com a intenção de fazer cursinho para adentrar a Faculdade, sendo que ingressou na Faculdade de Engenharia de Uberlândia., onde voltou a militar na área cultural dentro do Diretório Central de Estudantes.
Em 19.11.1969, foi preso juntamente com sua esposa Ilda, pelo Capitão Brasil do Serviço de Informações do Exército, onde tomaram conhecimento de que existiam outras pessoas presas, com a polícia buscando localizar militantes políticos de outros centros que haviam migrado para o Triângulo Mineiro.
Durante a prisão foi torturado pelo próprio pessoal do Quartel do Exército, que contavam com a colaboração de policiais do DOPS.
Major Jacques, Tenente Vilela e Tenente Maracy foram alguns dos torturadores de Jefferson. Neste período inicial, dentro dos primeiros quinze dias de prisão, foi demitido do Colégio Estadual de Uberlândia, através de uma carta do professor e informante do então SNI, que além deste nosso protagonista entregou igualmente aos órgãos repressivos os professores: Paulo Barros e Carlos Alberto Jorge. Em uma das vezes que revistaram seu apartamento, encontraram correspondências trocadas com amigos do exterior, acusando Jefferson de manter ligações com organismos internacionais, acabando por enquadrá-lo como membro da Ala Vermelha do PC do B.
Além dos torturadores acima mencionados, para o esclarecimento histórico deve ficar registrado o nome do Tenente Marcelo, que descobriu que os presos estavam ganhando tempo em seus depoimentos, com a finalidade de a notícia de sua prisão chegar ao conhecimento dos companheiros em liberdade e estes conseguissem evadir-se. Juntamente com o investigador Gomes Carneiro, torturaram violentamente o pessoal preso em Uberlândia. Nesta época o comandante militar de Minas Gerais era o General Antonio Bandeira, que em visita ao Quartel de Uberlândia determinou que as torturas e maus tratos contra os prisioneiros continuassem.
Libertado em 23.12.1969 conjuntamente com sua esposa, retornando para a cidade de Bauru, entretanto o inquérito no ano de 1970 foi concluído e encaminhado para a Auditoria Militar de Juiz de Fora envolvemos quase quarenta pessoas, que decretou sua prisão preventiva, tendo sido preso na cidade de Bauru, permanecendo preso por dois dias prestando depoimentos e depois encaminhado juntamente com sua esposa, sob forte escolta policial, para Juiz de Fora onde prestou depoimento na Auditoria Militar e foi encaminhado para o Presídio de Linhares, onde já se encontravam 87 presos políticos, permanecendo preso durante onze meses quando conseguiu a liberdade para aguardar o julgamento.
Neste julgamento tanto Jefferson como sua esposa foram condenados a três anos de prisão, tendo funcionado na acusação o promotor Simeão de Farias, ardoroso defensor dos militares, que em seu libelo disse:

"Enquanto o pessoal da luta armada faz a subversão de hoje, os professores fazem a subversão do amanhã, ao incutir ideologias políticas alienígenas na cabeça de seus alunos".

Condenado, retornou ao Presídio de Linhares e posteriormente conseguiu juntamente com sua esposa transferência para a Cadeia Pública de Piratininga e depois de três meses tiveram o benefício da prisão domiciliar. Em 1973, depois de terem cumprido a pena foram absolvidos no Superior Tribunal Federal com defesa do dr. Heleno Fragoso.
Jefferson continuou militando politicamente tanto no legal MDB, como no clandestino PCB, demonstrando sempre preocupação com a organização popular.
Criticado por alguns em decorrência de suas posturas em determinados momentos da política, não pode jamais deixar de ser lembrado como um patriota que deu os melhores anos de sua vida na busca incessante da liberdade.

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