segunda-feira, 27 de abril de 2009

JOAQUIM MENDONÇA SOBRINHO

“Precisamos de muito pouca coisa: apenas uns dos outros"
(Carlito Maia).

Nascido em Arealva-Sp., aos 14.06.1937,advogado e comerciante, foi ao lado de José Ivan Gibin de Mattos, Análio Gilberto Smith, Saad Zogheib Sobrinho, dentre tantos outros, uma das vítimas preferenciais da saga anticomunista de Silvio Marques Júnior, que via nas atividades de Joaquim como advogado de vários Sindicatos dos Trabalhadores na cidade de Bauru, a prática ideal visando a subversão da ordem e de disseminação dos ideários marxistas. Ademais, Joaquim fundara em Bauru, o Diretório Municipal do Partido Socialista Brasileiro, que era o hospedeiro natural dos militantes do então proscrito Partido Comunista. Vinha de uma excelente militância no Movimento Estudantil, onde tinha sido presidente do Centro Acadêmico IX de Julho e tinha tido participação ativa em momentos importantes da política, pois juntamente com seus companheiros, não conseguia permanecer omisso ante a realidade nacional.
Organizou protesto contra a invasão da “Bahia dos Porcos” em Cuba, na tentativa americana de derrubar Fidel Castro e desta forma, acabar com a revolução cubana. Foi, igualmente um dos organizadores da denominada “Semana das Reformas Políticas”, realizada em nossa cidade por entidades estudantis e sindicais, trazendo para encerrar a referida semana, o Deputado Federal Almino Afonso, então denominado de “Patativa do Congresso Nacional”, pela eloqüência de seus discursos.
Na Presidência do CA IX de Julho, lutou para conseguir concretizar um velho sonho da comunidade acadêmica, a construção da Casa do Estudante, em terrenos doados pelo Comendador Daniel Pacífico.
Conseguiu evadir-se quando da eclosão do Golpe Militar de 1º de Abril de 1964, fato este que ocasionou alvoroço nas fileiras da Frente Anti Comunista e da Polícia Bauruense. Colocaram a Força Pública, comandada pelo então Tenente Ventrice, com apoio de legionários da FAC e dezenas de soldados com cães amestrados em seu encalço.
Dirigiram-se até a propriedade rural do pai de Joaquim, Sr. Adelino Mendonça, na cidade de Arealva, em busca do perigoso comunista e de seu companheiro Análio Gilberto Smith. Deram tiros, dispararam rajadas de metralhadoras, de forma infrutífera, ocasião em que acabaram por prender sua irmã, colocando-a atrás das grades da Cadeia Pública de Arealva, na esperança vã de que esta ficasse desesperada e informasse o paradeiro do irmão. Não contavam com a popularidade de Adelina, a Nina, na pequena Arealva. Assim que correu pela cidade a notícia de que a estimada professora encontrava-se encarcerada, uma verdadeira multidão postou-se nas proximidades da Delegacia de Polícia, querendo saber os motivos de tão despropositada atitude das chamadas autoridades policiais.
Enquanto isso, Joaquim encontrava-se escondido no apartamento de um amigo na cidade de São Paulo,
Entretanto, a bem sucedida fuga de Joaquim serviu para atiçar ainda mais a ira da repressão política, que, a cada oportunidade que surgia, enviavam relatórios para São Paulo, dando conta de suas atividades políticas e dos encontros, mesmo que ocasionais, com militantes comunistas. Assim o foi em 1965, quando foi novamente fichado juntamente com diversos militantes da classe trabalhadora e o Juiz de Direito Dr. Francisco Antonio Gomes Neto. Igualmente nas denúncias, muitas vezes inverídicas e mentirosas de Silvio Marques Júnior, invariavelmente surgia o nome de Joaquim. Em 24.06.1969, foi denunciado, para a Quarta Zona Aérea da Aeronáutica, de que estaria viajando com constância para o Uruguai, onde estaria mantendo contatos com João Goulart e Leonel Brizola. O denunciante era pessoa que devia inúmeros favores pessoais para Joaquim e nesta época entendia que complicando a vida do amigo, junto aos órgãos repressivos, estaria livre inclusive de dívidas que possuía para com este. Pessoa relativamente conhecida da cidade e já falecida, em respeito aos seus netos, genros e filhas, não divulgaremos o seu nome.
Posteriormente em 24 de Março de 1970, compareceu ao DOPS/Bauru, acompanhado do dr. Orlando Landgraff e de Antonio Moreira, para prestar esclarecimentos sobre os livros que ocultara por ocasião do Golpe Militar. Na informação, enviada para São Paulo, o então delegado do DOPS/Bauru, comunica que mantém os três elementos sob observação e relaciona os livros apreendidos. A vigilância sobre Joaquim continua por longo tempo, imiscuem-se em seus negócios particulares, chamam os seus sócios em uma fazenda no Paraguai de contrabandistas, oportunistas, de possuírem amantes espanholas, que na realidade eram comunistas perigosas, etc...
No pós-golpe, Joaquim mostrou a sua coerência e sua solidariedade ao defender militantes políticos bauruenses processados por infração a Lei de Segurança Nacional. Afastou-se posteriormente da militância política, continua advogando e exercendo atividades comerciais, entretanto antes do golpe militar de 1º de Abril de 1964, foi um militante do então proscrito Partido Comunista que não fugia da luta e que estava sempre presente nos movimentos operários da cidade. Os investigadores e delegados do DOPS de Bauru, demonstravam ter grande antipatia por sua pessoa, haja vista as terminologias utilizadas para descrever suas atividades, mas hoje, com certeza, Joaquim dá boas risadas ao ler o que a polícia escrevia para relatar suas atividades na cidade de Bauru.
JOAQUIM MENDONÇA SOBRINHO pelo seu espírito de luta e de solidariedade humana, que prática até os dias atuais, merece ser sempre lembrado como coerente militante político da esquerda.

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