segunda-feira, 27 de abril de 2009

O DELETÉRIO CIDADÃO DE DALLAS.

Sabe-se de fonte segura, que determinado “professor” do primeiro ano, elemento ligado ao que mais de daninho e retrogrado existe, fez denuncias caluniosas contra três dos mais estimados professores, apontando-os como comunistas e subversivos ao Departamento de Ordem Política e Social –DOPS-.
O funcionário facista daquela “especializada” ao chegar em Bauru foi procurar o cidadão de Dallas e este, confirmando a nefanda calúnia, encaminhou-o a Faculdade de Direito de Bauru.
O Diretor, professor Mauricio Leite de Toledo, instado pelo agente sobre as atividades dos professores denunciados, negou-lhe atendimento. Demonstrou nosso diretor ser pessoa digna e correta, amante da verdade, pois não podia informar o que de fato nunca existiu e os professores sempre foram merecedores de sua alta estima e confiança.
O pernicioso elemento, brasileiro por acidente e para vergonha do Brasil, desesperado profissional do anticomunismo a soldo do consulado ianque em São Paulo, não mede conseqüências, a tudo e a todos macula e conspurca, para alcançar seus monstruosos objetivos.
Para melhor exercer suas funções, fundou uma espécie de filho bastardo do IBAD, a Frente Anticomunista, com essa seita e seus “fundos” misteriosos implanta ódio, terror, ignorância entre jovens desavisados, dilui e gangrena as famílias.
Cada qual tem o direito de defender a sua ideologia, mas a ninguém é dado o direito de formar grupos armados para defender o gorilismo. Os bípedes, em sua regra geral, quando racionais, discutem, trocam idéias, apontam fatos, e é daí, que surge a luz e que se manifesta a democracia.
O aspirante a aprendiz de corvo, é inculto, ignorante, incapaz de um dialogo racional e, como apoiado em dois pés, não se sente seguro, deixa-se fotografar apoiado em outro, o fuzil, tornando-se uma figura “sui generis”, não é bípede nem é quadrúpede ( creio que os quadrúpedes não o aceitariam).
Em suas pregações não aponta soluções, pois o fanático bronco, ignorante das mais comezinhas questões. Os professores, injustamente acusados, sendo um deles lúcido jornalista que escreve, no linguajar simples do caboclo sofrido, as verdades mais cruciantes, as opiniões mais abalizadas, desgosta o cidadão de Dallas. O segundo professor, sendo autor de inúmeras obras de alto gabarito, versando com profundidade e conhecimento autentico os mais variados problemas, incomoda o deletério rapinante. O terceiro, docente atualizado de importante cátedra, cujas opiniões objetivas e candentes sobre os problemas internacionais modernos, portador de um raciocínio e cultura que não se deixa levar pelas primeiras impressões, tendo profundidade e não se contentando com a gama de conhecimento, não agrada ao capacho do imperialismo. Este capacho é amante da mentira, dos sofismas já desmantelados no século IV, antes de cristo.
Seu livro, que só é vendido porque obrigatoriamente adotado, não passa de tesoura e goma arábica, e o que escapa da técnica “tesourabica” é digno de piedade e passível de curatela. Os calouros que se precavenham, devem ler e estudar muito para se imunizarem das ignorâncias e do ranço ministrados de cátedra.
Por ser brasileiro que nasceu e que luta por e pelo Brasil, por ser acadêmico desta Faculdade pioneira, por ter tido a felicidade de ser aluno dos três professores calhordamente acusados, com os quais muito aprendi, é que escrevo essas linhas. É necessário que uma voz se levante contra a odienta pratica da discriminação e da intolerância; que se diga de alto e bom som, que este “professor” não é digno do cargo que ocupa, é a serpente peçonhenta a preparar botes traiçoeiros contra seus próprios colegas.
Traição, aliás, é a sua arma predileta.

WILSON MONTAGNA, em artigo publicado no Jornal “O Renovador”, órgão de divulgação do Partido Acadêmico Renovador da Faculdade de Direito de Bauru – ITE -, em março de 1964. A publicação deste artigo rendeu ao seu autor, dois meses de prisão, acusado pelo promotor público Silvio Marques Júnior, alvo de suas criticas, de ser comunista.

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