"Certos políticos brasileiros confundem a vida pública com a privada".
(Aparício Torelli, o Barão de Itararé).
Nascido em Guaianás, Distrito de Pederneiras, mudou-se para a cidade de Bauru, indo residir na Vila Cardia, onde tinha o apelido de “Branquinho”, jogando futebol no Nacional Atlético Clube. Na adolescência adentrou aos quadros funcionais da TILIBRA, e desde cedo demonstrava sua insatisfação contra a exploração da mão de obra da classe trabalhadora, iniciando a organização da categoria dos gráficos, fundando, juntamente com outros companheiros a Associação Profissional dos Trabalhadores das Industrias Gráficas da cidade de Bauru, da qual foi seu primeiro presidente. Na presidência da entidade, iniciou a mobilização da categoria, e como os proprietário das industrias gráficas recusassem-se a atender as reivindicações apresentadas pela entidade sindical, dentre as quais o pagamento do salário mínimo as mulheres, que se negavam a fazer, alegando que a mulher só trabalhava para comprar produtos de maquiagem, de beleza e alguma roupa diferente, sendo que para isso não era preciso tanto dinheiro. Como não eram atendidas as suas pretensões, a entidade após consulta aos associados, deflagrou movimento paredista em busca de seus direitos, que mesmo assim a empresa continuava se negando a reconhecer. Dada a irredutibilidade da empresa, o então padre Pedro Paulo Koop, assumiu a intermediação das negociações e demonstrava claramente estar ao lado dos patrões, ao comparecer a uma Assembléia dos Gráficos em greve, apelando para que os mesmos retornassem ao trabalho, pois o Sr. João Coube estaria muito nervoso e poderia ter uma síncope cardíaca. O sempre mordaz e crítico Edson, respondeu que tudo bem, pois seu pai tinha morrido desta forma e nada havia sofrido, sendo, portanto uma morte repentina e sem maiores sofrimentos. Terminado o movimento grevista, o senhor João Coube demitiu o líder grevista do quadro funcional da Tilibra, como fórmula encontrada para acabar com as reclamações dentro da empresa, entretanto, a semente plantada por Edson e seus companheiros já havia germinado, e em pouco tempo a Associação havia se transformado em Sindicato, contratando Edson como assessor sindical, para que este colaborasse com a Diretoria no encaminhamento das lutas da categoria profissional.
Em 1963, foi candidato a vereador pelo Partido Socialista Brasileiro – PSB -, ficando na primeira suplência, tendo o partido elegido o igualmente comunista Edison Bastos Gasparini, e com, o advento do golpe militar de 1º de Abril de 1964, logo no dia 6 de Abril, o titular do mandato teve seu mandato extinto pela Câmara Municipal de Bauru, sob a acusação de ser comunista e agitador, sendo certo que na mesma sessão, os senhores vereadores, por unanimidade, extinguiram a suplência de Edson Francisco. Muito embora, um determinado pesquisador da história de Bauru, teime em dizer que um dos vereadores votou contra a extinção dos mandatos, a ata desta sessão comprova que todos os vereadores, sem exceção, votaram pela extinção dos mandatos, e a bem da verdade histórica até entendemos que alguns votaram contra a consciência, temendo pela própria integridade física, considerando que a Câmara Municipal estava tomada pelos insanos seguidores de Silvio Marques Júnior. Perseguido pela polícia política e seu braço militar, a Frente Anticomunista – FAC -, logrou êxito ao empreender fuga, conjuntamente com sua esposa dona Elza, ficando bom período afastado de nossa cidade, trabalhando no restaurante Caçador, na cidade de São Carlos. Retornando a nossa cidade, já no ano de 1965, voltou a trabalhar no Sindicato dos Gráficos, auxiliando o companheiro Gasparini no setor jurídico da entidade. Não desistiu da militância política, continuando a pertencer ao proscrito Partido Comunista Brasileiro, e colaborando de forma decisiva para a formação do Movimento Democrático Brasileiro – MDB -, juntamente com Edison Bastos Gasparini, Feliciano Gomes de Oliveira, Guiomar Ferrari de Oliveira, Nivaldo Cardia, Roberto Purini, Irineu Bastos e outros, sendo que o ex-prefeito Irineu Bastos, se desfiliou logo em seguida, indo para a Aliança Renovadora Nacional –ARENA -, agremiação pela qual disputou as eleições de 1968, como candidato à vice-prefeito de Nicola Avalone Júnior, sendo derrotados, de forma fragorosa por Alcides Franciscato e seu vice, Euflávio de Carvalho. Enquanto isto, Edson continuava na luta em defesa da classe trabalhadora, e no fortalecimento do único partido de oposição existente legalmente: o MDB.
Neste meio tempo adentrou a Faculdade de Direito de Bauru, mantida pela Instituição Toledo de Ensino, e voltou a disputar a vereança pelo MDB, no ano de 1976, ficando na segunda suplência, tendo o partido elegido sete vereadores de um total de dezessete. Continuou na luta pela organização popular, participando ativamente do Movimento contra a Carestia; Comitê Brasileiro pela Anistia – secção de Bauru; advogando em defesa dos oprimidos e se inserindo a cada dia, com maior intensidade nos movimentos populares. Saiu dos quadros do Partido Comunista Brasileiro, adentrando ao Movimento Revolucionário 8 de Outubro, após uma rápida passagem pela Convergência Socialista. Nas eleições municipais de 1982, em sua terceira tentativa, conseguiu eleger-se vereador da cidade de Bauru, em uma eleição onde o PMDB elegeu dez vereadores, o PDS elegeu seis e o PTB, um. A alegria ainda foi maior, pois o povo Bauruense elegera como Prefeito Municipal, o líder popular e militante comunista Edison Bastos Gasparini, companheiro de tantas jornadas de Edson Francisco, porém quis o destino que surgisse no velho camarada uma doença incurável, que não permitiu que o mesmo governasse a cidade, vindo a falecer em 1º de Novembro de 1983.
Edson Francisco foi junto à Câmara Municipal uma forte voz em defesa dos interesses populares, tendo na qualidade de Presidente da Câmara Municipal assumido a Prefeitura Municipal, em virtude de licença do sr. José Gualberto Tuga Martins Angerami. Reelegeu-se vereador nas eleições de 1988, e veio a falecer no exercício do mandato em início de 1989.
Edson Francisco da Silva, militante comunista e defensor intransigente dos movimentos populares, merece estar na memória coletiva, como um dos melhores filhos do povo brasileiro.
(Aparício Torelli, o Barão de Itararé).
Nascido em Guaianás, Distrito de Pederneiras, mudou-se para a cidade de Bauru, indo residir na Vila Cardia, onde tinha o apelido de “Branquinho”, jogando futebol no Nacional Atlético Clube. Na adolescência adentrou aos quadros funcionais da TILIBRA, e desde cedo demonstrava sua insatisfação contra a exploração da mão de obra da classe trabalhadora, iniciando a organização da categoria dos gráficos, fundando, juntamente com outros companheiros a Associação Profissional dos Trabalhadores das Industrias Gráficas da cidade de Bauru, da qual foi seu primeiro presidente. Na presidência da entidade, iniciou a mobilização da categoria, e como os proprietário das industrias gráficas recusassem-se a atender as reivindicações apresentadas pela entidade sindical, dentre as quais o pagamento do salário mínimo as mulheres, que se negavam a fazer, alegando que a mulher só trabalhava para comprar produtos de maquiagem, de beleza e alguma roupa diferente, sendo que para isso não era preciso tanto dinheiro. Como não eram atendidas as suas pretensões, a entidade após consulta aos associados, deflagrou movimento paredista em busca de seus direitos, que mesmo assim a empresa continuava se negando a reconhecer. Dada a irredutibilidade da empresa, o então padre Pedro Paulo Koop, assumiu a intermediação das negociações e demonstrava claramente estar ao lado dos patrões, ao comparecer a uma Assembléia dos Gráficos em greve, apelando para que os mesmos retornassem ao trabalho, pois o Sr. João Coube estaria muito nervoso e poderia ter uma síncope cardíaca. O sempre mordaz e crítico Edson, respondeu que tudo bem, pois seu pai tinha morrido desta forma e nada havia sofrido, sendo, portanto uma morte repentina e sem maiores sofrimentos. Terminado o movimento grevista, o senhor João Coube demitiu o líder grevista do quadro funcional da Tilibra, como fórmula encontrada para acabar com as reclamações dentro da empresa, entretanto, a semente plantada por Edson e seus companheiros já havia germinado, e em pouco tempo a Associação havia se transformado em Sindicato, contratando Edson como assessor sindical, para que este colaborasse com a Diretoria no encaminhamento das lutas da categoria profissional.
Em 1963, foi candidato a vereador pelo Partido Socialista Brasileiro – PSB -, ficando na primeira suplência, tendo o partido elegido o igualmente comunista Edison Bastos Gasparini, e com, o advento do golpe militar de 1º de Abril de 1964, logo no dia 6 de Abril, o titular do mandato teve seu mandato extinto pela Câmara Municipal de Bauru, sob a acusação de ser comunista e agitador, sendo certo que na mesma sessão, os senhores vereadores, por unanimidade, extinguiram a suplência de Edson Francisco. Muito embora, um determinado pesquisador da história de Bauru, teime em dizer que um dos vereadores votou contra a extinção dos mandatos, a ata desta sessão comprova que todos os vereadores, sem exceção, votaram pela extinção dos mandatos, e a bem da verdade histórica até entendemos que alguns votaram contra a consciência, temendo pela própria integridade física, considerando que a Câmara Municipal estava tomada pelos insanos seguidores de Silvio Marques Júnior. Perseguido pela polícia política e seu braço militar, a Frente Anticomunista – FAC -, logrou êxito ao empreender fuga, conjuntamente com sua esposa dona Elza, ficando bom período afastado de nossa cidade, trabalhando no restaurante Caçador, na cidade de São Carlos. Retornando a nossa cidade, já no ano de 1965, voltou a trabalhar no Sindicato dos Gráficos, auxiliando o companheiro Gasparini no setor jurídico da entidade. Não desistiu da militância política, continuando a pertencer ao proscrito Partido Comunista Brasileiro, e colaborando de forma decisiva para a formação do Movimento Democrático Brasileiro – MDB -, juntamente com Edison Bastos Gasparini, Feliciano Gomes de Oliveira, Guiomar Ferrari de Oliveira, Nivaldo Cardia, Roberto Purini, Irineu Bastos e outros, sendo que o ex-prefeito Irineu Bastos, se desfiliou logo em seguida, indo para a Aliança Renovadora Nacional –ARENA -, agremiação pela qual disputou as eleições de 1968, como candidato à vice-prefeito de Nicola Avalone Júnior, sendo derrotados, de forma fragorosa por Alcides Franciscato e seu vice, Euflávio de Carvalho. Enquanto isto, Edson continuava na luta em defesa da classe trabalhadora, e no fortalecimento do único partido de oposição existente legalmente: o MDB.
Neste meio tempo adentrou a Faculdade de Direito de Bauru, mantida pela Instituição Toledo de Ensino, e voltou a disputar a vereança pelo MDB, no ano de 1976, ficando na segunda suplência, tendo o partido elegido sete vereadores de um total de dezessete. Continuou na luta pela organização popular, participando ativamente do Movimento contra a Carestia; Comitê Brasileiro pela Anistia – secção de Bauru; advogando em defesa dos oprimidos e se inserindo a cada dia, com maior intensidade nos movimentos populares. Saiu dos quadros do Partido Comunista Brasileiro, adentrando ao Movimento Revolucionário 8 de Outubro, após uma rápida passagem pela Convergência Socialista. Nas eleições municipais de 1982, em sua terceira tentativa, conseguiu eleger-se vereador da cidade de Bauru, em uma eleição onde o PMDB elegeu dez vereadores, o PDS elegeu seis e o PTB, um. A alegria ainda foi maior, pois o povo Bauruense elegera como Prefeito Municipal, o líder popular e militante comunista Edison Bastos Gasparini, companheiro de tantas jornadas de Edson Francisco, porém quis o destino que surgisse no velho camarada uma doença incurável, que não permitiu que o mesmo governasse a cidade, vindo a falecer em 1º de Novembro de 1983.
Edson Francisco foi junto à Câmara Municipal uma forte voz em defesa dos interesses populares, tendo na qualidade de Presidente da Câmara Municipal assumido a Prefeitura Municipal, em virtude de licença do sr. José Gualberto Tuga Martins Angerami. Reelegeu-se vereador nas eleições de 1988, e veio a falecer no exercício do mandato em início de 1989.
Edson Francisco da Silva, militante comunista e defensor intransigente dos movimentos populares, merece estar na memória coletiva, como um dos melhores filhos do povo brasileiro.
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