segunda-feira, 27 de abril de 2009

FAMÍLIA TREVISAN

“As revoluções, como os vulcões, têm seus dias de chamas e seus anos de fumaça.”
Victor Hugo

FREDERICO era o pai.
Militante comunista desde a fundação do Partido.
Ferroviário da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e liderança sindical. Durante o Estado Novo, foi preso com outros companheiros, dentre eles o líder camponês da Fazenda Val de Palmas Oswaldo Pacheco e o companheiro ferroviário José Duarte, sendo encaminhados para São Paulo, tendo sido libertados somente quando da ANISTIA de 1945, depois de libertado, continuou a militar politicamente, ajudando a reorganizar o partido em nossa cidade e região, mostrando a dignidade e a lucidez dos militantes da classe trabalhadora, que mesmo retirados do convívio da família, levados para prisões distantes de suas terras, mantinham firmes os ideais da revolução do proletariado.
Transformou-se em um mito entre os militantes do Partido no centro-oeste paulista, envolvendo-se em constantes polêmicas em decorrência da firmeza de suas convicções, como certa vez, em que um grupo de senhoras religiosas resolveu fazer uma visita ao comunista, com a finalidade de convertê-lo para a Igreja Católica. Diz a lenda, que cada uma saiu com um exemplar do Manifesto Comunista, para ler em casa e voltar para discuti-lo com o velho militante.
Frederico teve dois filhos, Agnaldo e Oswaldo.
No golpe militar de 1964, ambos foram presos por serem filhos do velho militante, com a interferência direta da FAC. Na famosa Assembléia dos Ferroviários da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil em 1º de Abril de 1964, em apoio a Jango Goulart, dissolvida pela então Força Pública, Oswaldo pulou o muro dos fundos da Associação Profissional dos Ferroviários da NOB e se deparou com um enorme cachorro e não teve dúvidas, agarrou o animal pelo pescoço, atirou-o longe e prosseguiu na fuga.
Posteriormente foi preso, permanecendo 49 dias na Cadeia Pública de Bauru.
Irritado com a presença constante de Silvio Marques na Cadeia, ciceronando grupos de mulheres curiosas em ver os perigosos comunistas, Vardô não teve dúvidas.
Ao ouvir a conversa das mulheres, que novamente compareciam para vê-los, como se fossem animais em exposição, tirou a roupa e com o pênis ereto encostou-se na grade.
Ao verem a cena, as visitantes saíram correndo desesperadas, ouvindo Vardô gritar:

- Não comemos só criancinhas não! Venham cá!

Nunca mais o caçador de comunistas voltou a Cadeia Pública com suas alunas, com a finalidade de exibir os presos políticos como seus troféus de caça.FREDERICO, OSWALDO E AGNALDO construíram em suas vidas, uma história de lutas em prol da liberdade de nosso povo e na organização da classe trabalhadora. Esperamos que seus descendentes nos forneçam maiores detalhes sobre a trajetória política destes coerentes comunistas, para que possamos fornecer maiores detalhes de suas atuações.

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