GREVE DA COMPANHIA PAULISTA DE ESTRADA DE FERRO EM JANEIRO DE 1949.
Dizem os ferroviários mais antigos, que na então Companhia Paulista de Estrada de Ferro eram obrigados a trabalhar de gravata, por ser esta peça do vestuário indispensável ao uniforme do trabalhador, por determinação da direção da empresa.
Entretanto, face ao minguado salário que percebiam, colocavam a gravata sobre camisas velhas e muitas vezes rasgadas, por não mais suportarem cerzimento. Andavam de gravatas por determinação da chefia, mas famélicos, com roupas rasgadas e praticamente descalços.
Já em 03 de Agosto de 1947, os ferroviários iniciaram a luta por melhores salários, que não eram concedidos com a alegação de que estavam congelados por determinação do governo federal.
Salários congelados, mas o custo de vida em constante alta no pós-guerra, comprovando nitidamente de quem paga a conta nas crises mundiais, ocasionadas pelos pseudogovernantes sempre foi a espoliada classe trabalhadora. Revoltavam-se os trabalhadores, por terem que tirar os filhos das escolas, para que estes, em conjunto com suas mães, buscassem ocupação para ajudarem o chefe de família a manterem o lar.
Entretanto, ao contrário de hoje, as mulheres tinham espaço reduzido no mercado de trabalho, e para poderem colaborar no sustento do lar, somente restava a elas o árduo trabalho de lavadeiras e utilizavam-se dos córregos e rios, ainda não poluídos, para o desempenho de suas atividades.
Neste período, o salário médio do ferroviário da Paulista era de CR$ 750,00 (setecentos e cinqüenta cruzeiros) mensais, que eles classificavam como salários de "aprendizes de ferroviários", pleiteando um aumento geral de CR$ 500,00 (quinhentos cruzeiros).
Para termos uma idéia, uma noção dos valores da época, um conferente em início de carreira da então Estrada de Ferro Sorocabana recebia mensalmente o salário de CR$ 1.650,00 (um mil, seiscentos e cinqüenta cruzeiros), mais que o dobro que o salário do colega da Paulista.
Neste período, pós 2ª Guerra Mundial e pós Estado Novo, começaram a campanha pelo “O Petróleo é nosso"; “Movimento contra a Carestia" e pela “Paz Mundial", empenhando-se a militância do proscrito Partido Comunista, em sua organização e divulgação. Sendo certo que em seis de outubro de 1948, realizou-se na cidade, um comício da campanha e em 17 de novembro, era organizada a Comissão Municipal de Defesa do Petróleo, com a presença de ferroviários das três ferrovias aqui existentes, além de pessoas representativas da comunidade, sendo certa as presenças de Antenor Dias, Júlio Xavier, Arcôncio Pereira da Silva, Elias Calixto Bittar, Alberto de Souza, dentre tantos outros que se engajavam nas lutas populares de então.
Entretanto, no caso da luta reivindicatória da Paulista, como esta era particular, a arbitrariedade e a prepotência campeavam, sendo que a cada liderança emergente, imediatamente surgia uma demissão, pois esta era a fórmula mágica encontrada pelos maus patrões e especialmente pelo então inspetor geral da empresa, Sr. Jayme Cintra, para tentar calar a revolta dos trabalhadores, mais sem jamais terem alguma atitude ou gesto que viesse a beneficiar a categoria.
Quando, em 09 de Janeiro de 1949, a imprensa nacional noticiou ameaça de greve na ferrovia Central do Brasil, ocasião em que policiais armados ocuparam aquela ferrovia com a intenção de salvaguardar o seu patrimônio, o todo poderoso inspetor geral determinou que todos os ferroviários que trabalhavam na via permanente da Paulista, debaixo de sol e chuva, também realizassem vigílias noturnas, ao longo da linha, com a finalidade de se evitar qualquer movimento paredista na Paulista.
Há mais de ano, os ferroviários clamavam por aumento salarial e a própria direção da empresa sabia que, a qualquer momento, eclodiria o movimento grevista.
Com a situação de miséria e desespero, em que se encontravam os trabalhadores, colocá-los em plantão extraordinário, sem pagamento de horas extras, “era a mesma coisa que colocar a raposa para tomar conta do galinheiro", entretanto, a grande massa representada pela classe ferroviária, ia com estas determinações absurdas do inspetor, aumentando sua disposição para a luta por melhores salários e conseqüentemente por melhores condições de vida.
Clamavam em seus manifestos, por melhores salários, por um salário digno, que significaria mais pães em suas casas e desta forma, menos lágrimas e tristezas à mesa. Com o salário que percebiam na ferrovia, muitas vezes eram obrigados a morarem em casas de “pau a pique", a fazerem tão somente uma refeição diária, mas iam para o trabalho com a obrigatória e inseparável gravata.
O estômago roncava de fome, com seu barulho confundindo-se com o apito das locomotivas e, todavia, tinham que seguir as ordens do chefe, afinal, a aparência era fundamental.
Desde aquela época, reinava a hipocrisia entre os detentores do poder, tanto do poder político como do econômico.
Aliás, um parêntese se faz necessário, para irmos até o início da década de 60, quando os gráficos bauruenses lutavam para receber, ao menos, o salário mínimo mensalmente, o dono de uma grande empresa gráfica local, que empregava grande número de mulheres, chegou a afirmar taxativamente em uma reunião:
"... mulheres ganham para gastar em pinturas e roupas. Para tal fim não é necessário o salário mínimo..."
Quando lemos ou temos conhecimento destas barbaridades, somos obrigados a concordar com o velho combatente Alberto de Souza:
"Patrão bom já nasce morto!"
Retornando ao movimento reivindicatório de 1949, a pressão do inspetor geral surtiu efeito até o dia 20 de Janeiro, quando pleiteando o já decantado aumento de CR$ 500,00 em seus salários, exatamente às 6 horas e 45 minutos da manhã, os ferroviários de Bauru declararam-se em greve e ocupando toda uma composição férrea, dirigiram-se para a pequena Estação de Triagem, com o apito da locomotiva tocando de forma ininterrupta, como forma de comunicarem a população de que estavam em greve.
Em Triagem, distante 3 quilômetros da Estação Central de Bauru, unem-se aos companheiros daquela estação e de Pederneiras. Inicia-se ali, uma das mais violentas e sangrentas greves ocorridas em nossa cidade.
À luz da história, a violência utilizada de forma exacerbada pela repressão, teve igualmente sua parcela de culpa na Comissão Sindical.
Sim, pois Bauru, Triagem e Pederneiras, paralisaram suas atividades com base em informações ufanistas de que a linha toda cessaria suas atividades, mesmo porque, a luta por melhores salários não estava circunscrita somente à nossa região. Os informes otimistas, trazidos por ferroviários da Comissão Sindical Estadual, estimularam a greve, que os ferroviários e a Comissão local, acreditavam ser geral. O ufanismo torna-se evidente, quando tomamos conhecimento ao longo desta pesquisa, de que quando elementos do comando de greve local buscaram contato com o restante da linha para informar da paralisação na cidade, encontraram reações de surpresa, pois o restante da linha funcionava normalmente.
E o pior, os ferroviários de outras estações desconheciam a existência do movimento e estes informes ufanistas e inverídicos provocaram uma greve parcial de tristes conseqüências para a classe trabalhadora. Não vamos aqui discutir, se o comando local deveria ou não ter recuado com o movimento, no momento em que tomaram conhecimento da não adesão total, mesmo porque estavam com a adrenalina alta, e talvez, ousaram sonhar que se o movimento persistisse por aqui, toda a ferrovia obrigatoriamente seria obrigada a paralisar suas atividades.
Lógico que sonhar é permitido, e devemos sonhar sempre, para termos motivação para o amanhã, entretanto quando o sonho coloca em risco a integridade física de outrem, creio que deva ser contido.
Não foi isto que ocorreu.
Em toda a história brasileira, por diversas vezes iremos encontrar casos e situações, em que informes mentirosos levados por pessoas ufanistas, ou quem sabe mal intencionadas, ocasionaram perdas irreparáveis. Assim o foi no levante de 1935 e igualmente por ocasião da saída do Capitão Lamarca do 4º RI de Quitaúna.
No caso específico da chamada Greve de Triagem, se a linha toda parasse, a Companhia iria, evidentemente, negociar com a categoria como um todo, e não somente buscar desobstruir a pequena parte da linha que encontrava com suas atividades paralisadas, pois isso de nada adiantaria para o reinício de suas atividades.
Com a paralisação apenas parcial, ao invés do diálogo com os grevistas, a direção da empresa buscou a ajuda policial, com o intuito de desocupar de qualquer forma a estação de sua propriedade, pois ao chegarem à Triagem, os grevistas apossaram-se das dependências da Estação e obviamente de seu telégrafo, para poderem se comunicar com o restante da linha, aguardando a adesão total, que não veio a ocorrer, como já vimos anteriormente.
Simultaneamente a isto, começam a organizar piquetes com a finalidade de não deixar passar o trem de passageiro de prefixo P-14, com destino a São Paulo. Esta composição partia de Bauru, às 8h00 sendo que mil e cem ferroviários em ato de desafio deitaram-se sobre os trilhos para impedirem a sua passagem.
Enquanto isto chega a polícia, convocada pela direção da ferrovia, sendo que um destacamento do 4º Batalhão de Caçadores, comandado pelo Tenente Benedito Netto, equipados com metralhadoras, fuzis e bombas de efeito moral, para dispersar o movimento desarmado dos ferroviários.
Sempre foi assim. Contra a fome e a miséria, a fúria repressora. Irmãos agredindo, ferindo e matando irmãos, por ordem de mentes unicamente preocupadas com seu bem estar. O tenente determina que os grevistas em dez minutos, desocupem o leito da ferrovia e a estação, não obtendo sucesso nesta ordem.
Determina então que os soldados arremessem as bombas de efeito moral contra os grevistas, mas igualmente não obteve sucesso, não tendo sido atendido pelos seus comandados, que igualmente aos ferroviários eram oprimidos e estavam com seus salários achatados.
Nova ordem do já histérico comandante.
Nova recusa por parte da tropa.
Tenente Benedito Netto inicia então a operação e é seguido apenas por parte da tropa, sendo que o restante conseguiu ter o discernimento necessário para não cumprir ordens tão absurdas, a de atacar com bombas grevistas desarmados, em busca de uma sobrevivência digna. Por falta de sorte do sanguinário tenente, o vento soprava contra suas forças, e os grevistas protegendo as narinas com lenços começam a arremessar as bombas de volta contra a tropa policial. Sempre a classe trabalhadora desarmada encontrava e encontra saídas criativas nos momentos de confronto contra a repressão.
Irritado, bravo, com a atitude dos grevistas, o tenente determina que a tropa "cale as baionetas".
Com as baionetas caladas e com coronhadas tentam dispersar a massa.
Neste momento, chegam reforços da Força Pública e mais, investigadores e delegados do DOPS, dentre eles os doutores Leopoldo Mendes e Ítalo Ferrigno acompanhando o inspetor geral Jayme Cintra.
Este, ao ouvir dos grevistas que a greve era motivada pela fome e em busca de melhores salários, respondeu com sua arrogância peculiar:
"... que a greve era subversiva e contra o governo!"
A massa trabalhadora em uníssono respondeu que a greve era organizada, fomentada pela miséria em que viviam, ao que o inspetor retira-se irado do local, apenas dizendo aos grevistas de que a polícia tinha carta branca para agir e desocupar o imóvel de suas incomodas presenças. Convém ressaltar de que o inspetor somente foi a Triagem depois de tentar e não conseguir, reunir-se separadamente com as lideranças do movimento.
E, também neste momento, ocorre um grande erro da classe trabalhadora, que se dispersa, sendo que em sua grande maioria, retornam para Bauru e Pederneiras, permanecendo no local apenas setenta bravos ferroviários.
Bravos sim, entretanto desarmados.
Verificando que o número de grevistas reduziu-se para pouco mais de meia centena, o tenente determina, prazeroso, o início daquilo que ficou conhecido como a “Chacina de Triagem".
Dizem os mais antigos que o matraquear das metralhadoras e dos fuzis foi ensurdecedor, e que a linha férrea da Paulista tingiu-se de vermelho, do sangue ferroviário.
Cinqüenta grevistas feridos, sendo cinco em estado grave: Nelson Polastro, Elias Calixto, Walter Martins, Jaime Rainaud, José Moraes e João Camargo.
Desarmados, os grevistas empunham uma grande bandeira nacional e cantam o hino pátrio, na inocente certeza de que a polícia respeitaria os símbolos nacionais.
Quanto mais tremulava o pavilhão e mais alto cantavam o hino nacional, maiores eram os gritos do tenente para seus comandados os reprimirem.
Correndo pela cidade, a notícia da repressão policial em Triagem, seus companheiros e irmãos das oficinas da então Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, liderados pelos jovens sindicalistas e comunistas Antenor Dias e Júlio Xavier, realizam de imediato uma greve de advertência, em solidariedade aos companheiros. Pela realização desta greve e por organizarem um abaixo assinado, solicitando o arquivamento dos processos contra o Cavaleiro da Esperança, Luiz Carlos Prestes, Antenor e Júlio foram, naquele ano de 1949, punidos com uma suspensão de noventa dias e proibidos de freqüentar as dependências da Estrada de Ferro.
Em 22 de Janeiro de 1949, a Comissão Sindical lançou um manifesto ao povo de Bauru, que depois de denunciar a repressão ocorrida, finalizou:
"... estávamos desarmados e lutando por um pedaço de pão para nossos filhinhos e esposas, e por isso mesmo tínhamos a ilusão de que não seríamos massacrados selvagelmente, como fomos, pelos bandoleiros de Dutra.”
“O ensinamento para nós, para os trabalhadores de Bauru e para o povo brasileiro, é de que não há mais nenhuma lei, nenhuma garantia, nenhuma regra de decência humana, nenhum direito que seja respeitado em nossa pátria! E por isso declaramos aos trabalhadores e ao povo de Bauru, que estamos dispostos a defender o nosso direito de não morrer de fome, por todos os meios ao nosso alcance.
Apontamos ao povo de Bauru o nome dos criminosos, que devem ser julgados pela Justiça Popular, implacavelmente: Luiz de Oliveira Lima, Ítalo Ferrigno, Jayme Cintra, João Scheiffer, Torreta, Maia, Gastão da Rocha Leão, José Castro de Pena, Alcides Maurício, Benedito Miranda, Joaquim Duarte (vulgo Periquito), Henrique Ambrósio, Adolpho Véscio, Tenente Benedito Netto, Sargento Leovigildo Pereira de Souza, Cabo Antonio Francisco do Nascimento e os soldados Pedro Garcia Leal, Luiz Paixão da Silva e José da Costa."
Todavia minha amiga, a repressão ao movimento paredista de Triagem não se encerrou em 20 de Janeiro, pois a Companhia Paulista de Estrada de Ferro solicitou da Justiça do Trabalho a apuração das responsabilidades, pela deflagração do movimento grevista e esta, em 10 de Outubro de 1949, julgou favoravelmente para a ferrovia, autorizando-a a demitir os ferroviários: Elias Calixto, Nelson Polastro, João Nascimento e Arcôncio Pereira da Silva, com fundamento e amparo legal, nas letras "b" e "h" do artigo 482 da CLT, que regulamenta incontinência de conduta ou mau procedimento e atos de indisciplina ou insubordinação.
Na área jurídica trabalhista, como se pode ver, fome e baixos salários tinham outra nomenclatura.
Paralelamente ao procedimento na Justiça do Trabalho, tramitava no fórum local outro inquérito, com base na Lei de Segurança Nacional, no qual constavam como réus os membros da Comissão Sindical local e as lideranças que se destacaram no movimento.
Em 14 de Outubro do mesmo ano, o então Juiz de Direito da Comarca de Bauru, Dr. Eugênio Teixeira de Andrade, embora reconhecendo que "a polícia teve necessidade de atirar bombas lacrimogêneas e disparar alguns tiros para o alto", definia como mais perigoso para a sociedade às supostas idéias marxistas dos líderes ferroviários.
Sempre as idéias marxistas eram consideradas como mais perigosas que as armas de fogo.
E em sua sentença, o dr. Eugênio condenou os senhores Nelson Polastro e Elias Calixto à pena de um ano de detenção, e Walter Martins, Oswaldo Nogueira, João Nascimento, Ernesto Fernandes dos Santos, Benedito Martins Borges, Antônio Dias e Arcôncio Pereira da Silva à pena de seis meses de detenção, e todos eles a pagarem multa no valor de CR$ 2.000,00 (dois mil cruzeiros) e mais CR$ 30,00 (trinta cruzeiros) de taxa penitenciária.
Incrível, mas é a verdade.
O salário médio do ferroviário era de CR$ 750,00 (setecentos e cinqüenta cruzeiros). Condenados à prisão, demitidos sem direito pecuniário algum, ainda foram penalizados com multas equivalentes a três meses de salários.
Calixto evadiu-se e ficou longo tempo na clandestinidade, aguardando a prescrição da pena. Conta-se que certo dia, ao sair do local onde se encontrava, ao olhar para a fila do então Cine Ritz na cidade de São Paulo, viu a última pessoa que desejava ver naquele momento, o delegado do DOPS, Dr. Ítalo Ferrigno.
Arcôncio foi preso em Guaimbê e transferido para Bauru, onde cumpriu sua pena na cadeia pública local, sendo que boa parte da prisão cumpriu em companhia do velho combatente, Alberto de Souza, sapateiro, integrante da coluna Prestes e paraplégico em virtude de torturas policiais. O velho Alberto encontrava-se preso por ter disparado alguns tiros no interior da “Casa Sampiere”, em decorrência de desacordo comercial, quando da aquisição de solas de couro para a confecção de calçados, mas isto minha amiga, é uma outra história, que certamente será contada pelo companheiro e irmão Arthur Monteiro Júnior, advogado, jornalista e pesquisador da história de Alberto.
À guisa de curiosidade:
1 - O Dr. Ítalo Ferrigno, apontado como repressor pelos grevistas, 19 anos depois deste episódio, presidiu como delegado do DOPS/SP, o inquérito instaurado contra os estudantes presos no Congresso da UNE, em Ibiúna, no ano de 1968, dentre eles o bauruense Milton Dota;
2 - Arcôncio (91) continua residindo em nossa cidade, Walter Martins (77) na cidade de São Paulo e Elias Calixto Bitar, faleceu aos 23 de Novembro de 2004 em Bauru, aos 85 anos de idade, sem ter seus direitos trabalhistas reconhecidos ;
3 - O perigoso grevista e comunista Benedito Martins Borges, mais tarde ficou conhecido e continuou a ser temido como “Borjão”, pai de santo conhecido, respeitado por todo o estado. Dizem os mais antigos que realizava trabalhos espirituais por encomenda para Pelé e o Santos Futebol Clube.
Muito embora tenha sido uma greve de curta duração, este movimento insere-se na história da classe trabalhadora de nossa cidade pela repressão sofrida e por ter ocorrido durante um governo pretensamente democrático: o de Eurico Gaspar Dutra. Nas páginas a seguir, colocamos uma pequena biografia de Arconcio Pereira da Silva, Armando Ferreira dos Santos e de Elias Calixto Bitar. Dos demais grevistas, por enquanto, não encontramos maiores subsídios e solicitamos a quem conheça seus parentes, amigos que nos enviem material para podermos ampliar o nosso trabalho.
Dizem os ferroviários mais antigos, que na então Companhia Paulista de Estrada de Ferro eram obrigados a trabalhar de gravata, por ser esta peça do vestuário indispensável ao uniforme do trabalhador, por determinação da direção da empresa.
Entretanto, face ao minguado salário que percebiam, colocavam a gravata sobre camisas velhas e muitas vezes rasgadas, por não mais suportarem cerzimento. Andavam de gravatas por determinação da chefia, mas famélicos, com roupas rasgadas e praticamente descalços.
Já em 03 de Agosto de 1947, os ferroviários iniciaram a luta por melhores salários, que não eram concedidos com a alegação de que estavam congelados por determinação do governo federal.
Salários congelados, mas o custo de vida em constante alta no pós-guerra, comprovando nitidamente de quem paga a conta nas crises mundiais, ocasionadas pelos pseudogovernantes sempre foi a espoliada classe trabalhadora. Revoltavam-se os trabalhadores, por terem que tirar os filhos das escolas, para que estes, em conjunto com suas mães, buscassem ocupação para ajudarem o chefe de família a manterem o lar.
Entretanto, ao contrário de hoje, as mulheres tinham espaço reduzido no mercado de trabalho, e para poderem colaborar no sustento do lar, somente restava a elas o árduo trabalho de lavadeiras e utilizavam-se dos córregos e rios, ainda não poluídos, para o desempenho de suas atividades.
Neste período, o salário médio do ferroviário da Paulista era de CR$ 750,00 (setecentos e cinqüenta cruzeiros) mensais, que eles classificavam como salários de "aprendizes de ferroviários", pleiteando um aumento geral de CR$ 500,00 (quinhentos cruzeiros).
Para termos uma idéia, uma noção dos valores da época, um conferente em início de carreira da então Estrada de Ferro Sorocabana recebia mensalmente o salário de CR$ 1.650,00 (um mil, seiscentos e cinqüenta cruzeiros), mais que o dobro que o salário do colega da Paulista.
Neste período, pós 2ª Guerra Mundial e pós Estado Novo, começaram a campanha pelo “O Petróleo é nosso"; “Movimento contra a Carestia" e pela “Paz Mundial", empenhando-se a militância do proscrito Partido Comunista, em sua organização e divulgação. Sendo certo que em seis de outubro de 1948, realizou-se na cidade, um comício da campanha e em 17 de novembro, era organizada a Comissão Municipal de Defesa do Petróleo, com a presença de ferroviários das três ferrovias aqui existentes, além de pessoas representativas da comunidade, sendo certa as presenças de Antenor Dias, Júlio Xavier, Arcôncio Pereira da Silva, Elias Calixto Bittar, Alberto de Souza, dentre tantos outros que se engajavam nas lutas populares de então.
Entretanto, no caso da luta reivindicatória da Paulista, como esta era particular, a arbitrariedade e a prepotência campeavam, sendo que a cada liderança emergente, imediatamente surgia uma demissão, pois esta era a fórmula mágica encontrada pelos maus patrões e especialmente pelo então inspetor geral da empresa, Sr. Jayme Cintra, para tentar calar a revolta dos trabalhadores, mais sem jamais terem alguma atitude ou gesto que viesse a beneficiar a categoria.
Quando, em 09 de Janeiro de 1949, a imprensa nacional noticiou ameaça de greve na ferrovia Central do Brasil, ocasião em que policiais armados ocuparam aquela ferrovia com a intenção de salvaguardar o seu patrimônio, o todo poderoso inspetor geral determinou que todos os ferroviários que trabalhavam na via permanente da Paulista, debaixo de sol e chuva, também realizassem vigílias noturnas, ao longo da linha, com a finalidade de se evitar qualquer movimento paredista na Paulista.
Há mais de ano, os ferroviários clamavam por aumento salarial e a própria direção da empresa sabia que, a qualquer momento, eclodiria o movimento grevista.
Com a situação de miséria e desespero, em que se encontravam os trabalhadores, colocá-los em plantão extraordinário, sem pagamento de horas extras, “era a mesma coisa que colocar a raposa para tomar conta do galinheiro", entretanto, a grande massa representada pela classe ferroviária, ia com estas determinações absurdas do inspetor, aumentando sua disposição para a luta por melhores salários e conseqüentemente por melhores condições de vida.
Clamavam em seus manifestos, por melhores salários, por um salário digno, que significaria mais pães em suas casas e desta forma, menos lágrimas e tristezas à mesa. Com o salário que percebiam na ferrovia, muitas vezes eram obrigados a morarem em casas de “pau a pique", a fazerem tão somente uma refeição diária, mas iam para o trabalho com a obrigatória e inseparável gravata.
O estômago roncava de fome, com seu barulho confundindo-se com o apito das locomotivas e, todavia, tinham que seguir as ordens do chefe, afinal, a aparência era fundamental.
Desde aquela época, reinava a hipocrisia entre os detentores do poder, tanto do poder político como do econômico.
Aliás, um parêntese se faz necessário, para irmos até o início da década de 60, quando os gráficos bauruenses lutavam para receber, ao menos, o salário mínimo mensalmente, o dono de uma grande empresa gráfica local, que empregava grande número de mulheres, chegou a afirmar taxativamente em uma reunião:
"... mulheres ganham para gastar em pinturas e roupas. Para tal fim não é necessário o salário mínimo..."
Quando lemos ou temos conhecimento destas barbaridades, somos obrigados a concordar com o velho combatente Alberto de Souza:
"Patrão bom já nasce morto!"
Retornando ao movimento reivindicatório de 1949, a pressão do inspetor geral surtiu efeito até o dia 20 de Janeiro, quando pleiteando o já decantado aumento de CR$ 500,00 em seus salários, exatamente às 6 horas e 45 minutos da manhã, os ferroviários de Bauru declararam-se em greve e ocupando toda uma composição férrea, dirigiram-se para a pequena Estação de Triagem, com o apito da locomotiva tocando de forma ininterrupta, como forma de comunicarem a população de que estavam em greve.
Em Triagem, distante 3 quilômetros da Estação Central de Bauru, unem-se aos companheiros daquela estação e de Pederneiras. Inicia-se ali, uma das mais violentas e sangrentas greves ocorridas em nossa cidade.
À luz da história, a violência utilizada de forma exacerbada pela repressão, teve igualmente sua parcela de culpa na Comissão Sindical.
Sim, pois Bauru, Triagem e Pederneiras, paralisaram suas atividades com base em informações ufanistas de que a linha toda cessaria suas atividades, mesmo porque, a luta por melhores salários não estava circunscrita somente à nossa região. Os informes otimistas, trazidos por ferroviários da Comissão Sindical Estadual, estimularam a greve, que os ferroviários e a Comissão local, acreditavam ser geral. O ufanismo torna-se evidente, quando tomamos conhecimento ao longo desta pesquisa, de que quando elementos do comando de greve local buscaram contato com o restante da linha para informar da paralisação na cidade, encontraram reações de surpresa, pois o restante da linha funcionava normalmente.
E o pior, os ferroviários de outras estações desconheciam a existência do movimento e estes informes ufanistas e inverídicos provocaram uma greve parcial de tristes conseqüências para a classe trabalhadora. Não vamos aqui discutir, se o comando local deveria ou não ter recuado com o movimento, no momento em que tomaram conhecimento da não adesão total, mesmo porque estavam com a adrenalina alta, e talvez, ousaram sonhar que se o movimento persistisse por aqui, toda a ferrovia obrigatoriamente seria obrigada a paralisar suas atividades.
Lógico que sonhar é permitido, e devemos sonhar sempre, para termos motivação para o amanhã, entretanto quando o sonho coloca em risco a integridade física de outrem, creio que deva ser contido.
Não foi isto que ocorreu.
Em toda a história brasileira, por diversas vezes iremos encontrar casos e situações, em que informes mentirosos levados por pessoas ufanistas, ou quem sabe mal intencionadas, ocasionaram perdas irreparáveis. Assim o foi no levante de 1935 e igualmente por ocasião da saída do Capitão Lamarca do 4º RI de Quitaúna.
No caso específico da chamada Greve de Triagem, se a linha toda parasse, a Companhia iria, evidentemente, negociar com a categoria como um todo, e não somente buscar desobstruir a pequena parte da linha que encontrava com suas atividades paralisadas, pois isso de nada adiantaria para o reinício de suas atividades.
Com a paralisação apenas parcial, ao invés do diálogo com os grevistas, a direção da empresa buscou a ajuda policial, com o intuito de desocupar de qualquer forma a estação de sua propriedade, pois ao chegarem à Triagem, os grevistas apossaram-se das dependências da Estação e obviamente de seu telégrafo, para poderem se comunicar com o restante da linha, aguardando a adesão total, que não veio a ocorrer, como já vimos anteriormente.
Simultaneamente a isto, começam a organizar piquetes com a finalidade de não deixar passar o trem de passageiro de prefixo P-14, com destino a São Paulo. Esta composição partia de Bauru, às 8h00 sendo que mil e cem ferroviários em ato de desafio deitaram-se sobre os trilhos para impedirem a sua passagem.
Enquanto isto chega a polícia, convocada pela direção da ferrovia, sendo que um destacamento do 4º Batalhão de Caçadores, comandado pelo Tenente Benedito Netto, equipados com metralhadoras, fuzis e bombas de efeito moral, para dispersar o movimento desarmado dos ferroviários.
Sempre foi assim. Contra a fome e a miséria, a fúria repressora. Irmãos agredindo, ferindo e matando irmãos, por ordem de mentes unicamente preocupadas com seu bem estar. O tenente determina que os grevistas em dez minutos, desocupem o leito da ferrovia e a estação, não obtendo sucesso nesta ordem.
Determina então que os soldados arremessem as bombas de efeito moral contra os grevistas, mas igualmente não obteve sucesso, não tendo sido atendido pelos seus comandados, que igualmente aos ferroviários eram oprimidos e estavam com seus salários achatados.
Nova ordem do já histérico comandante.
Nova recusa por parte da tropa.
Tenente Benedito Netto inicia então a operação e é seguido apenas por parte da tropa, sendo que o restante conseguiu ter o discernimento necessário para não cumprir ordens tão absurdas, a de atacar com bombas grevistas desarmados, em busca de uma sobrevivência digna. Por falta de sorte do sanguinário tenente, o vento soprava contra suas forças, e os grevistas protegendo as narinas com lenços começam a arremessar as bombas de volta contra a tropa policial. Sempre a classe trabalhadora desarmada encontrava e encontra saídas criativas nos momentos de confronto contra a repressão.
Irritado, bravo, com a atitude dos grevistas, o tenente determina que a tropa "cale as baionetas".
Com as baionetas caladas e com coronhadas tentam dispersar a massa.
Neste momento, chegam reforços da Força Pública e mais, investigadores e delegados do DOPS, dentre eles os doutores Leopoldo Mendes e Ítalo Ferrigno acompanhando o inspetor geral Jayme Cintra.
Este, ao ouvir dos grevistas que a greve era motivada pela fome e em busca de melhores salários, respondeu com sua arrogância peculiar:
"... que a greve era subversiva e contra o governo!"
A massa trabalhadora em uníssono respondeu que a greve era organizada, fomentada pela miséria em que viviam, ao que o inspetor retira-se irado do local, apenas dizendo aos grevistas de que a polícia tinha carta branca para agir e desocupar o imóvel de suas incomodas presenças. Convém ressaltar de que o inspetor somente foi a Triagem depois de tentar e não conseguir, reunir-se separadamente com as lideranças do movimento.
E, também neste momento, ocorre um grande erro da classe trabalhadora, que se dispersa, sendo que em sua grande maioria, retornam para Bauru e Pederneiras, permanecendo no local apenas setenta bravos ferroviários.
Bravos sim, entretanto desarmados.
Verificando que o número de grevistas reduziu-se para pouco mais de meia centena, o tenente determina, prazeroso, o início daquilo que ficou conhecido como a “Chacina de Triagem".
Dizem os mais antigos que o matraquear das metralhadoras e dos fuzis foi ensurdecedor, e que a linha férrea da Paulista tingiu-se de vermelho, do sangue ferroviário.
Cinqüenta grevistas feridos, sendo cinco em estado grave: Nelson Polastro, Elias Calixto, Walter Martins, Jaime Rainaud, José Moraes e João Camargo.
Desarmados, os grevistas empunham uma grande bandeira nacional e cantam o hino pátrio, na inocente certeza de que a polícia respeitaria os símbolos nacionais.
Quanto mais tremulava o pavilhão e mais alto cantavam o hino nacional, maiores eram os gritos do tenente para seus comandados os reprimirem.
Correndo pela cidade, a notícia da repressão policial em Triagem, seus companheiros e irmãos das oficinas da então Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, liderados pelos jovens sindicalistas e comunistas Antenor Dias e Júlio Xavier, realizam de imediato uma greve de advertência, em solidariedade aos companheiros. Pela realização desta greve e por organizarem um abaixo assinado, solicitando o arquivamento dos processos contra o Cavaleiro da Esperança, Luiz Carlos Prestes, Antenor e Júlio foram, naquele ano de 1949, punidos com uma suspensão de noventa dias e proibidos de freqüentar as dependências da Estrada de Ferro.
Em 22 de Janeiro de 1949, a Comissão Sindical lançou um manifesto ao povo de Bauru, que depois de denunciar a repressão ocorrida, finalizou:
"... estávamos desarmados e lutando por um pedaço de pão para nossos filhinhos e esposas, e por isso mesmo tínhamos a ilusão de que não seríamos massacrados selvagelmente, como fomos, pelos bandoleiros de Dutra.”
“O ensinamento para nós, para os trabalhadores de Bauru e para o povo brasileiro, é de que não há mais nenhuma lei, nenhuma garantia, nenhuma regra de decência humana, nenhum direito que seja respeitado em nossa pátria! E por isso declaramos aos trabalhadores e ao povo de Bauru, que estamos dispostos a defender o nosso direito de não morrer de fome, por todos os meios ao nosso alcance.
Apontamos ao povo de Bauru o nome dos criminosos, que devem ser julgados pela Justiça Popular, implacavelmente: Luiz de Oliveira Lima, Ítalo Ferrigno, Jayme Cintra, João Scheiffer, Torreta, Maia, Gastão da Rocha Leão, José Castro de Pena, Alcides Maurício, Benedito Miranda, Joaquim Duarte (vulgo Periquito), Henrique Ambrósio, Adolpho Véscio, Tenente Benedito Netto, Sargento Leovigildo Pereira de Souza, Cabo Antonio Francisco do Nascimento e os soldados Pedro Garcia Leal, Luiz Paixão da Silva e José da Costa."
Todavia minha amiga, a repressão ao movimento paredista de Triagem não se encerrou em 20 de Janeiro, pois a Companhia Paulista de Estrada de Ferro solicitou da Justiça do Trabalho a apuração das responsabilidades, pela deflagração do movimento grevista e esta, em 10 de Outubro de 1949, julgou favoravelmente para a ferrovia, autorizando-a a demitir os ferroviários: Elias Calixto, Nelson Polastro, João Nascimento e Arcôncio Pereira da Silva, com fundamento e amparo legal, nas letras "b" e "h" do artigo 482 da CLT, que regulamenta incontinência de conduta ou mau procedimento e atos de indisciplina ou insubordinação.
Na área jurídica trabalhista, como se pode ver, fome e baixos salários tinham outra nomenclatura.
Paralelamente ao procedimento na Justiça do Trabalho, tramitava no fórum local outro inquérito, com base na Lei de Segurança Nacional, no qual constavam como réus os membros da Comissão Sindical local e as lideranças que se destacaram no movimento.
Em 14 de Outubro do mesmo ano, o então Juiz de Direito da Comarca de Bauru, Dr. Eugênio Teixeira de Andrade, embora reconhecendo que "a polícia teve necessidade de atirar bombas lacrimogêneas e disparar alguns tiros para o alto", definia como mais perigoso para a sociedade às supostas idéias marxistas dos líderes ferroviários.
Sempre as idéias marxistas eram consideradas como mais perigosas que as armas de fogo.
E em sua sentença, o dr. Eugênio condenou os senhores Nelson Polastro e Elias Calixto à pena de um ano de detenção, e Walter Martins, Oswaldo Nogueira, João Nascimento, Ernesto Fernandes dos Santos, Benedito Martins Borges, Antônio Dias e Arcôncio Pereira da Silva à pena de seis meses de detenção, e todos eles a pagarem multa no valor de CR$ 2.000,00 (dois mil cruzeiros) e mais CR$ 30,00 (trinta cruzeiros) de taxa penitenciária.
Incrível, mas é a verdade.
O salário médio do ferroviário era de CR$ 750,00 (setecentos e cinqüenta cruzeiros). Condenados à prisão, demitidos sem direito pecuniário algum, ainda foram penalizados com multas equivalentes a três meses de salários.
Calixto evadiu-se e ficou longo tempo na clandestinidade, aguardando a prescrição da pena. Conta-se que certo dia, ao sair do local onde se encontrava, ao olhar para a fila do então Cine Ritz na cidade de São Paulo, viu a última pessoa que desejava ver naquele momento, o delegado do DOPS, Dr. Ítalo Ferrigno.
Arcôncio foi preso em Guaimbê e transferido para Bauru, onde cumpriu sua pena na cadeia pública local, sendo que boa parte da prisão cumpriu em companhia do velho combatente, Alberto de Souza, sapateiro, integrante da coluna Prestes e paraplégico em virtude de torturas policiais. O velho Alberto encontrava-se preso por ter disparado alguns tiros no interior da “Casa Sampiere”, em decorrência de desacordo comercial, quando da aquisição de solas de couro para a confecção de calçados, mas isto minha amiga, é uma outra história, que certamente será contada pelo companheiro e irmão Arthur Monteiro Júnior, advogado, jornalista e pesquisador da história de Alberto.
À guisa de curiosidade:
1 - O Dr. Ítalo Ferrigno, apontado como repressor pelos grevistas, 19 anos depois deste episódio, presidiu como delegado do DOPS/SP, o inquérito instaurado contra os estudantes presos no Congresso da UNE, em Ibiúna, no ano de 1968, dentre eles o bauruense Milton Dota;
2 - Arcôncio (91) continua residindo em nossa cidade, Walter Martins (77) na cidade de São Paulo e Elias Calixto Bitar, faleceu aos 23 de Novembro de 2004 em Bauru, aos 85 anos de idade, sem ter seus direitos trabalhistas reconhecidos ;
3 - O perigoso grevista e comunista Benedito Martins Borges, mais tarde ficou conhecido e continuou a ser temido como “Borjão”, pai de santo conhecido, respeitado por todo o estado. Dizem os mais antigos que realizava trabalhos espirituais por encomenda para Pelé e o Santos Futebol Clube.
Muito embora tenha sido uma greve de curta duração, este movimento insere-se na história da classe trabalhadora de nossa cidade pela repressão sofrida e por ter ocorrido durante um governo pretensamente democrático: o de Eurico Gaspar Dutra. Nas páginas a seguir, colocamos uma pequena biografia de Arconcio Pereira da Silva, Armando Ferreira dos Santos e de Elias Calixto Bitar. Dos demais grevistas, por enquanto, não encontramos maiores subsídios e solicitamos a quem conheça seus parentes, amigos que nos enviem material para podermos ampliar o nosso trabalho.
Caro Antonio,
ResponderExcluirPor acaso tomei conhecimento do seu blog. Parabéns pelas memórias aqui registradas.
Sou neto de Nelson Polastro, citado como um dos feridos na greve de Triagem. Se vc tiver mais informações sobre ele, por favor, gostaria de obtê-las. e-mail: sergioeloren@gmail.com
Gostaria de saber mais informações sobre meu pai, Julio Xavier, que foi preso e torturado naquele ano sofrido para todos nós.meu e-mail:rosita-soler@hotmail.com
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