segunda-feira, 27 de abril de 2009

FRANCISCO JOSÉ DE OLIVEIRA

“Ser radical é tomar as coisas pela raiz. Ser extremista é tomar as coisas unilateralmente.”
Emir Sader, sociólogo,
Francisco José de Oliveira nasceu em Cabrália Paulista, aos 22 de fevereiro de 1943, filho de Olívio Oliveira e de dona Maria das Neves Knafelc, era estudante de Ciências Sociais na USP/SP. Militante do PCB, acabou por ingressar na ALN e foi realizar curso de guerrilha em Cuba. Dissidente da ALN decidiu por ingressar no MOLIPO – Movimento de Libertação Popular -, que tinha como um dos seus militantes, o ex-deputado e ex-ministro Zé Dirceu. No retorno ao nosso país, teve seus passos mapeados pela repressão policial, e como a grande maioria dos militantes que retornaram de treinamento militar na Ilha, acabou por ser morto em confronto com a polícia, demonstrando a fragilidade do esquema de segurança montado para o retorno a Pátria.
Francisco e uma companheira foram surpreendidos em uma lanchonete da rua Turiassu, em Pompéia, Sp., aos 05.11.1971, ocasião em que ocorreu um violento tiroteio, no qual Francisco foi ferido gravemente e a mulher que o acompanhava, logrou êxito na fuga. Embora ferido, tentou ainda escapar dos policiais comandados pelo delegado Antonio Vilela, entretanto, acabou sendo atingido nas costas por uma rajada de metralhadora. O laudo de necropsia, assinado pelos médicos legistas Mario Nelson Matte e José Henrique, é realizado com o nome falso de Dario Marcondes, sendo que, em anotação feita a mão, está o verdadeiro nome de Francisco.
No Arquivo Histórico de São Paulo, mais precisamente nos arquivos do DOPS/SP, ao lado de um xerox da identidade de Dario Marcondes, encontra-se anotado à máquina, o nome, filiação e data de nascimento de Francisco. Mesmo a repressão sabendo de sua verdadeira identidade a certidão de óbito é realizada em nome de Dario Marcondes, mostrando o interesse de seus algozes em manter escondida a sua verdadeira identidade para poder sepultá-lo como indigente no Cemitério Dom Bosco, na Vala de Perús e seus restos mortais encontram-se na UNICAMP para serem identificados.
Destaque-se que foi morto um dia após a morte de Zé Arantes. Ambos militantes do MOLIPO e recém chegados de Cuba. Como diria a ilustre historiadora Denise Rollemberg, em seu excelente “Apoio de Cuba a luta armada no Brasil” : “até transpira, deixa transparecer que a repressão sabia os detalhes da chegada destes valorosos militantes”.

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