segunda-feira, 27 de abril de 2009

ROMEU CAJUEIRA DE FREITAS

“Enquanto uns comem em excesso, outros não têm acesso”.
Frei Betto.

Professor Romeu era psicólogo de formação, alagoano de nascimento e realizou um grande trabalho na área de psicologia na ferrovia Central do Brasil, conseguindo diminuir drasticamente o número de acidentes naquela Estrada de Ferro, colocando os ferroviários para trabalhar no local onde realmente tivessem aptidão.
Veio para Bauru, em meados de 1963, com a finalidade de realizar a mesma tarefa entre os ferroviários da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, e obviamente foi recebido com desconfiança pelos dirigentes da ferrovia, que viam no professor Romeu um perigo para a manutenção de seus cargos.
Estava construindo no Hospital Salles Gomes, no Jardim Bela Vista, de propriedade da Estrada de Ferro, sua clínica com a finalidade de agilizar os trabalhos, quando ocorreu o golpe militar de 1º de Abril.
Denunciaram Romeu para a polícia política, inventando uma história no mínimo mirabolante. Afirmaram que na realidade era um carpinteiro nordestino, disfarçado de psicólogo, que estava em Bauru a mando de Miguel Arraes e de Francisco Julião (líder das Ligas Camponesas), com a finalidade de incutir o comunismo na cabeça nos ferroviários bauruenses.
Denunciado, foi levado para a Cadeia e enfrentou outro problema. Os bauruenses presos por participação política não o conheciam e entenderam que era um espião colocado dentro da cela, para ouvir suas conversas e repassar para a repressão, entretanto, com o passar do tempo conseguiu adquirir a confiança dos demais presos , tornando-se amigo da maioria, contando suas histórias e causos da vida em Alagoas, mas sempre demonstrando seu inconformismo com a delação que fora vítima.
Permaneceu preso durante dois meses, e ao sair dos cárceres mudou-se para o Rio de Janeiro, descontente e irritado com a cidade de Bauru.
Com a abertura dos arquivos do período da repressão fica constatado que foi denunciado por Renato Barban, então médico do Hospital Salles Gomes. Em contrapartida encontrou apoio de outros médicos da cidade, dentre eles Osíris Domingues e Arnaldo Santana que inclusive ofereceram apoio médico, moral e material a família do amigo preso.
Professor Romeu conseguiu angariar a simpatia e amizade de seus companheiros de cárcere, e quando ficou sabendo que vários deles haviam sido demitidos ou aposentados administrativamente, retornou a Bauru com a finalidade de oferecer apoio moral e material a seus novos amigos.
Entrou para a história da classe trabalhadora de Bauru como um elemento injustamente perseguido e que mostrou nas masmorras da ditadura toda a sua dignidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário