“Os filósofos alemães estão discutindo o mundo em termos metafísicos. Chega de discutir o mundo, vamos transformá-lo".
(A miséria da filosofia, Karl Marx)
Nascido em Campinas, interior de São Paulo, aos quatro de agosto de 1919, tendo sido radiotelegrafista da Companhia Paulista de Estrada de Ferro e um dos líderes do movimento paredista de Triagem, em 20/01/1949. Demitido do serviço e condenado a um ano de cadeia pela participação nesta greve, evadiu-se da cidade de Bauru, indo para a capital do estado, onde foi ser o responsável pela segurança do aparelho onde se reunia o Comitê Ferroviário do Partido Comunista Brasileiro, acabando por conviver no dia a dia, com figuras lendárias do Partido Comunista, afinal, Carlos Marighela, Luis Carlos Prestes, Joaquim Câmara Ferreira, mantinham constante contato com os militantes ferroviários, visto estes representarem o movimento sindical organizado em nosso país. Elias, ou Arnaldo, que era o codinome utilizado por este companheiro, militava no PCB desde antes de sua legalização nos anos quarenta, recrutado que havia sido por Ramiro Luchesi, outro histórico militante comunista, que construiu uma história de lutas no movimento da esquerda brasileira. Elias tem uma excelente memória e conta alguns fatos que vivenciou em sua militância política clandestina, com seus detalhes mínimos.
Recordava-se que a sede do Diretório Municipal do PCB, na cidade de Bauru, foi instalado em um imóvel de propriedade do Dr. Silvino Spindola, notório integralista, na Avenida Rodrigues Alves. Ria muito, quando se recordava que a placa com o nome do Partido e o símbolo da foice e do martelo, contrastavam com a pintura verde do prédio.
Outro fato marcante nesta militância de Arnaldo é o episódio da expulsão do militante Delamare Machado da Silva, dos quadros partidários, durante o período da legalidade. Diz, recordar-se até hoje do semblante calmo e tranqüilo de Delamare, quando tomou conhecimento da decisão do Diretório Municipal, e, ressalta que muito embora expulso, o velho Delamare jamais deixou de hipotecar solidariedade e participar ativamente das lutas da classe trabalhadora, conforme comprovamos em outras pesquisas sobre os comunistas. O artífice da expulsão deste militante foi José Duarte, outra verdadeira legenda do marxismo brasileiro.
Indubitavelmente, uma das maiores participações de Elias na frente de massas, foi a Greve de Triagem de 1949, dos ferroviários da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, greve esta fortemente reprimida pela polícia local, repressão esta comandada pelo Delegado de Polícia, Ítalo Ferrigno e pelo dirigente da ferrovia, Engº Jaime Cintra, e com muita sorte escapou ileso do confronto com a repressão, amargando para todo o sempre uma coronhada de fuzil que levou no peito, em um verdadeiro coice como o denominava.
Posteriormente, atuou sempre na clandestinidade e na organização de infra-estruturas de aparelhos utilizados para reuniões do Partidão, servindo inclusive de motorista para os dirigentes partidários e era tido, como elemento de confiança e de grande responsabilidade. Foi Elias que conduziu Carlos Marighela, a uma propriedade rural, na periferia de Bauru, quando o mesmo esteve reunido com os comunistas locais, discutindo sua saída do PCB, na segunda metade da década de 60 e a criação de uma nova organização revolucionária com a finalidade de combater a ditadura militar. Foi Elias quem criticou o fato de Marighela e Câmara Ferreira, ficarem na linha de frente dos combates, por entender que estes deveriam ficar na retaguarda, atuando como estrategistas.
Punido em 1949, mesmo beneficiado pela Lei de Anistia, até hoje não teve sua situação resolvida pelos governantes, completando 58 anos de perseguição política por lutar por melhores salários para sua categoria profissional, justamente em um país, onde a pena privativa de liberdade não pode exceder trinta anos, por mais hediondo que tenha sido o crime.
Elias Calixto Bittar, faleceu em 23 de Novembro de 2004, aos 85 anos de idade não perdendo jamais o espírito de luta, estando sempre presente nos movimentos populares organizados na cidade de Bauru, tendo sido homenageado na Câmara Municipal, por iniciativa do vereador Marcelo Borges de Paula, do PSDB, com seu honrado nome batizando uma via pública de nossa cidade.
(A miséria da filosofia, Karl Marx)
Nascido em Campinas, interior de São Paulo, aos quatro de agosto de 1919, tendo sido radiotelegrafista da Companhia Paulista de Estrada de Ferro e um dos líderes do movimento paredista de Triagem, em 20/01/1949. Demitido do serviço e condenado a um ano de cadeia pela participação nesta greve, evadiu-se da cidade de Bauru, indo para a capital do estado, onde foi ser o responsável pela segurança do aparelho onde se reunia o Comitê Ferroviário do Partido Comunista Brasileiro, acabando por conviver no dia a dia, com figuras lendárias do Partido Comunista, afinal, Carlos Marighela, Luis Carlos Prestes, Joaquim Câmara Ferreira, mantinham constante contato com os militantes ferroviários, visto estes representarem o movimento sindical organizado em nosso país. Elias, ou Arnaldo, que era o codinome utilizado por este companheiro, militava no PCB desde antes de sua legalização nos anos quarenta, recrutado que havia sido por Ramiro Luchesi, outro histórico militante comunista, que construiu uma história de lutas no movimento da esquerda brasileira. Elias tem uma excelente memória e conta alguns fatos que vivenciou em sua militância política clandestina, com seus detalhes mínimos.
Recordava-se que a sede do Diretório Municipal do PCB, na cidade de Bauru, foi instalado em um imóvel de propriedade do Dr. Silvino Spindola, notório integralista, na Avenida Rodrigues Alves. Ria muito, quando se recordava que a placa com o nome do Partido e o símbolo da foice e do martelo, contrastavam com a pintura verde do prédio.
Outro fato marcante nesta militância de Arnaldo é o episódio da expulsão do militante Delamare Machado da Silva, dos quadros partidários, durante o período da legalidade. Diz, recordar-se até hoje do semblante calmo e tranqüilo de Delamare, quando tomou conhecimento da decisão do Diretório Municipal, e, ressalta que muito embora expulso, o velho Delamare jamais deixou de hipotecar solidariedade e participar ativamente das lutas da classe trabalhadora, conforme comprovamos em outras pesquisas sobre os comunistas. O artífice da expulsão deste militante foi José Duarte, outra verdadeira legenda do marxismo brasileiro.
Indubitavelmente, uma das maiores participações de Elias na frente de massas, foi a Greve de Triagem de 1949, dos ferroviários da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, greve esta fortemente reprimida pela polícia local, repressão esta comandada pelo Delegado de Polícia, Ítalo Ferrigno e pelo dirigente da ferrovia, Engº Jaime Cintra, e com muita sorte escapou ileso do confronto com a repressão, amargando para todo o sempre uma coronhada de fuzil que levou no peito, em um verdadeiro coice como o denominava.
Posteriormente, atuou sempre na clandestinidade e na organização de infra-estruturas de aparelhos utilizados para reuniões do Partidão, servindo inclusive de motorista para os dirigentes partidários e era tido, como elemento de confiança e de grande responsabilidade. Foi Elias que conduziu Carlos Marighela, a uma propriedade rural, na periferia de Bauru, quando o mesmo esteve reunido com os comunistas locais, discutindo sua saída do PCB, na segunda metade da década de 60 e a criação de uma nova organização revolucionária com a finalidade de combater a ditadura militar. Foi Elias quem criticou o fato de Marighela e Câmara Ferreira, ficarem na linha de frente dos combates, por entender que estes deveriam ficar na retaguarda, atuando como estrategistas.
Punido em 1949, mesmo beneficiado pela Lei de Anistia, até hoje não teve sua situação resolvida pelos governantes, completando 58 anos de perseguição política por lutar por melhores salários para sua categoria profissional, justamente em um país, onde a pena privativa de liberdade não pode exceder trinta anos, por mais hediondo que tenha sido o crime.
Elias Calixto Bittar, faleceu em 23 de Novembro de 2004, aos 85 anos de idade não perdendo jamais o espírito de luta, estando sempre presente nos movimentos populares organizados na cidade de Bauru, tendo sido homenageado na Câmara Municipal, por iniciativa do vereador Marcelo Borges de Paula, do PSDB, com seu honrado nome batizando uma via pública de nossa cidade.
gostaria de achar mais informações sobre o Ramiro Lucchesi, vc poderia me ajudar?
ResponderExcluirCaro,
Excluirdesculpe, somente agora ví sua postagem. Tenho bastante coisa do Ramiro. Entre em contato. chineloneles@uol.com.br