quarta-feira, 29 de abril de 2009

Nome do Jornal: Voz da Egreja, A

Prontuário: 2355.
Conselho Editorial: Liga Anticlerical Marquez de Pombal.
Perfil Político: anticlerical.
Periodicidade: mensal, com distribuição gratuita.
Processo Gráfico: tipográfico.
Dimensão: Histórico: "A Voz da Egreja" surgiu na cidade interiorana de Bauru (SP), em maio de 1933. Intitulava-se como um órgão de divulgação das atividades da "Liga Anticlerical Marquez de Pombal”, sediada naquela cidade. A primeira edição adiantava a intenção do jornal de manter-se desligado do partidarismo político e propunha o combate pela liberdade de pensamento e de consciência, que, segundo o editorial de capa - “À guisa de apresentação”-, naquele momento, estavam "amordaçadas" pela Igreja Católica e seus “homens de saia preta”. Exemplo recente disso, afirmavam, era a promulgação do decreto presidencial que estabelecia o ensino religioso em todas as escolas do país (1931), tal medida evidenciava o acordo entre Getúlio Vargas e a Igreja Católica, demonstrando, também, o interesse desta última em reassumir seu papel na política nacional. Diante deste contexto, o jornal propunha-se a combater o clericalismo, isto é, a ingerência da Igreja Católica na política varguista. Proclamando-se como nascido da luta e para a luta, "A Voz da Egreja" pretendia dar prosseguimento ao seu programa, frente a todas as intempéries, pelo apoio e boa vontade de todos os livre-pensadores que quisessem “extirpar do organismo brasileiro, esse cancro gangrenoso que se chama clero”. Para ele, a atitude anticlericalista do jornal refletiria a postura de defesa do povo contra uma religião que pretendia fazer-se novamente oficial, escravizando as mentes e restabelecendo os tribunais da Inquisição. Segundo o jornal, o Vaticano era como um governo estrangeiro, mandava padres para o Brasil, seus agentes no país, unicamente para se aproveitar da ignorância do povo e extorquir riquezas para serem enviadas ao estrangeiro, fato que caracterizaria a Igreja Católica como uma organização imperialista a serviço das idéias do “inferno” e do “purgatório” para aplicar as maiores trapaças nas pessoas. Esta é a justificativa do combate a ser impingido ao “formidável sindicato de exploradores e de espiões” formado por padres. O jornal conclama seus leitores a cerrarem fileiras e se utilizarem de todos os meios lícitos para expulsar os padres do Brasil seguindo o exemplo das nações civilizadas. Aqui, em uma clara alusão ao protestantismo majoritário nos Estados Unidos da América, o jornal alega que com a presença dos “eunucos do Papa” no Brasil, o país nada havia lucrado, mantendo-se estagnado. O jornal propunha, ainda, que após a expulsão da Igreja Católica do Brasil, fossem nacionalizados os seus bens, além de investigados todos os governantes brasileiros que de alguma maneira tivessem colaborado com aquela instituição religiosa. O jornal esperava dos leitores o acolhimento de suas proposições e avisava que, se a campanha tivesse sucesso, a tiragem de "A Voz da Egreja" aumentaria de 3.000 para 10.000 exemplares. O fato de o jornal ter publicado na terceira página do número inaugural um informe do Partido Socialista Brasileiro também não deve ser desprezado. Neste texto, o PSB conclama o povo de Bauru a lutar pelos direitos das classes trabalhadoras durante o processo eleitoral de 1933. Afirmava que era chegado o momento para aqueles que realmente produziam e realizavam no país os “milagres do progresso e a vertigem da civilização”. Estes teriam seus direitos representados em uma organização partidária que defendesse intransigentemente as reivindicações sociais. Com palavras de ordem, o comunicado do PSB de Bauru termina com o slogan: “Avante, Companheiros: ‘Por São Paulo forte no Brasil Unido!’”.
Número de Páginas: 4.
Local/Edição: Bauru (SP).
Prontuariado: Carlos Gewe
Razão da Apreensão: O jornal anticlericalista "A Voz da Egreja" era impresso nas oficinas de "A Tribuna Operária", cujo diretor-gerente era o tipógrafo alemão Carlos Gewe, considerado como um dos membros mais atuantes do Partido Comunista na região de Bauru (SP). O exemplar foi apreendido, segundo a polícia, em razão de um descuido de seus editores, que não legalizaram a publicação junto às autoridades. Há, no entanto, dois outros motivos que poderiam ter levado ao confisco do jornal: consta do prontuário de Carlos Gewe uma carta de Ary Nascimento Cordeiro, secretário da Liga Católica “Jesus, Maria, José”, na qual o autor queixa-se às autoridades de que o jornal anticlericalista feria a dignidade dos católicos de Bauru, pedindo a atenção dos poderes competentes.

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