segunda-feira, 27 de abril de 2009

OSWALDO PENNA

“A arte não é somente talento, mas sobretudo coragem!”.
Glauber Rocha.

Oswaldo Penna sempre foi uma figura controvertida e os velhos comunistas sempre criticam sua auto-suficiência, entretanto temos que resgatar o passado como um todo, sem sectarismo de nenhuma espécie. Conheço pessoas que irão criticar a inclusão de seu nome neste trabalho, mas que ao mesmo tempo, mantém alcagüetes confessos nos quadros funcionais das entidades que dirigem.
É o velho instituto dos dois pesos e duas medidas!
Penna foi tesoureiro do Partido Comunista no município de Bauru, no distante ano de 1946, quando da sua legalização e sempre manteve atividades ligadas ao movimento operário no centro oeste paulista, atividades que renderam inúmeras fichas nos arquivos da repressão. Mesmo assim, Penna continuou a trabalhar junto à classe trabalhadora, especificamente junto aos rurais, angariando fortes adversários junto aos donos da terra.
Ainda nos dias atuais encontramos pessoas que criticam sua liderança na greve de seis meses da Usina Miranda, alegando que sua atuação levou ao fechamento daquela. Esquecem-se os detratores gratuitos de Penna que a greve eclodiu em decorrência de atrasos costumazes de pagamentos, atrasos estes que chegavam há um ano, sem que estas pessoas que ainda hoje criticam, esboçassem qualquer movimento em defesa da sobrevivência digna dos trabalhadores.
Em 1964 conseguiu fugir, escapando desta forma da prisão, entretanto, todas suas atividades eram vigiadas pelos agentes do DOPS.
Em novembro de 1970, juntamente com Arcôncio Pereira da Silva, Milton Bataiola e João Baptista Dias, foi preso e encaminhado ao Quartel do Exército de Lins-Sp, onde acabou sofrendo agruras sem fim e permanecendo longos dias isolado dos demais.
Prisão esta clandestina, que não consta dos arquivos da repressão. Podemos discordar das atitudes políticas e ideológicas de Penna, mas jamais poderemos ignorar sua participação ao lado da classe trabalhadora.

3 comentários:

  1. Como neto do velho Penna, venho agradecer por manter viva a história e feitos dessa figura ímpar!! Afinal...nossa memória ninguém apaga!

    ResponderExcluir
  2. Eu sou alejandra e tive o prazer de conhecer ao Sr. Oswaldo Penna pessoalmente , foi no ano1993 _2001, ele era uma pessoa execelente, veio de férias para minha casa, em Argentina Buenos Aires em Dicimbre de 1996 compartilhando comigo e minha família um bom Natal. . como também teve a honra dada a mim porque eu sou um poeta,que meus poemas foram publicados em seu revistaa cadência da qual tenho algumas ... Eu faço a minha maior homenagem, ele era divertido um ser tão simples, simpático, inteligente, humilde, com um coração grande! Ele adorava brincar com meus filhos eu tenho fotos de oswaldo junto com meus filhos ... para mim foi muito bom ouvir as suas histórias em Bauru ... falando muito e com orgulho do seu filho Orgulho penninha que estava na França e muito mais ... infelizmente, como muitas coisas deixaram de ser bom com sua partida ..a sua editorial ninguem continuar com a publicação da sua revista que ele tanto amava? como um tributo ao vida de um guerreiro que lutou incansavelmente até o fim... um bom amigo que jamais vou esquecê-lo ... alguns parentes também moram aqui em Buenos Aires, Argentina, perdi contato com eles ... Estou muito orgulhosa de ter podido conhecer e ser amigos de um "GRANDE", como era ele e continuará a ser o "SENHOR OSWALDO PENNA" para sempre em nossos corações! Eu me pergunto se seu filhos editaram a sua biografia,ou se há um museu com material e a historia de o senhor oswaldo penna para ir visitar com os meus filhos .. se você precisar de algum material, eu tenho alguns, fotos com meus filhos, revista cadência que ele sempre me enviou com minhas publicações, estou ao seu serviço ...
    E muito bom que sempre seja lembrado como uma grande pessoa!
    Como amiga dele, muito obrigada por esta homenagem..!
    Por sempre ficará em nossos corações!!!

    ResponderExcluir
  3. Desejo saber como está a situação do processo de meu pai, JulioSoares Xavier, em relação à indenização, por tortura, em 1964, como preso político.

    ResponderExcluir